Foto de Rádio Cova da Beira | Facebook

Há várias décadas que as populações do concelho de Resende sonham com a ligação rodoviária entre a Ponte da Ermida e Baião. Trata-se de uma ligação com uma extensão aproximada de 13 quilómetros e com um custo aproximado de 26 milhões de euros. 

Tratando-se de uma obra tantas vezes prometida e outras tantas adiada, acaba por provocar na população daquela região uma ideia de descrença difícil de ultrapassar… Uma obra determinante, que permitiria encurtar significativamente distâncias e tempos de trajeto, numa região com condições orográficas muito específicas, e que permitiria ligar o concelho de Resende a centros urbanos mais desenvolvidos.

Talvez valha a pena lembrar os nossos governantes que o tão falado desenvolvimento do interior, se calhar, começa aqui! Se por um lado o desenvolvimento do interior passa pela capacidade de atrair investimento, por forma a criar emprego e fixar populações, por outro, poucos serão os empresários disponíveis para investir num território onde as acessibilidades sejam deficitárias.

E não vale a pena virem dizer-nos que estão apostados em garantir uma cobertura adequada de serviços públicos no interior do país, afirmando que todos os portugueses têm direito à mesma qualidade de serviços, independentemente do local onde estão instalados, porque tal afirmação é falsa! Em Resende (como em muitos outros concelhos do país) as pessoas sentem precisamente o contrário.

Este Governo, à semelhança de todos os outros, esqueceu-se das pessoas com domicílio fiscal no interior. A juntar à falta de acessibilidades temos a falta de alternativas às autoestradas A23, A24 e A25. Não é possível ir da Guarda a Vilar Formoso por qualquer outra estrada alternativa à A25, isto para dar apenas um exemplo. O maior custo de quem trabalha e reside no interior são os custos destas autoestradas, custos esses que afetam não só o transporte de mercadorias mas também a deslocação das pessoas.

Convém lembrar que o estatuto de SCUT (sem custos para o utilizador) foi a forma encontrada para discriminar positivamente as regiões do interior face às desigualdades e assimetrias regionais, que mais tarde viria a ser prejudicada pela aplicação do princípio do utilizador pagador, aplicação esta, feita de forma cega em praticamente todo o país, tendo por base critérios meramente economicistas.

A falta de acessibilidades e os custos das antigas SCUT implicam custos adicionais na produção e distribuição de bens e serviços, reduzindo desde logo a competitividade empresarial bem como a atratividade de futuros investimentos. A somar a tudo isto, vão-se somando os encerramentos de serviços públicos essenciais, que tanto têm contribuído para o abandono destes territórios e que na prática para mais não servem do que para justificar o desinvestimento que se tem verificado ao longo dos anos…

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Nascido em Luanda - Angola em Junho de 1955. Em 1970 imigrou para a África do Sul, onde conclui o Ensino Secundário, e em março 1976 volta para Portugal, tendo fixado residência em Resende. Trabalhou como Técnico de Instalações Elétricas na Federação de Municípios do Distrito de Viseu entre 1977 e 1984, altura em que ingressou nos quadros de pessoal da EDP, onde se manteve até Fevereiro de 2008, tendo saído para a Pré-Reforma. Foi Presidente da Casa do Povo de Resende (IPSS) entre agosto 2002 e maio 2016. No âmbito do associativismo, faz ainda parte dos órgãos sociais da Associação de Karate Shotokan de Resende, do Clube de Natação de Resende e da Casa do Benfica em Resende. Foi vereador da Câmara Municipal de Resende, eleito nas listas do Partido Socialista, entre Outubro 2009 e Setembro 2017. Atualmente é membro da Comissão Coordenadora Distrital de Viseu do Bloco de Esquerda.

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