Sendo Portugal um país relativamente pequeno, não surpreende que grande parte da população e dos seus recursos se encontrem concentrados em algumas cidades do litoral. E, contrariamente ao que seria desejável, não parece existir grande vontade por parte dos nossos governantes para inverter esta situação.

Ninguém deseja que um filho estude, trabalhe ou forme família numa pequena cidade ou aldeia do interior, sem acesso a um hospital a curta distância. O mesmo é válido para as escolas e outros recursos, indispensáveis para retirar populações às grandes cidades, estimulando assim a economia do país no seu todo.

 

Quando olhamos para os nossos filhos, que são o futuro do país, desejamos que tenham emprego digno e acesso à habitação para, logo de seguida, o negarmos pois percebemos que os sucessivos governos não investiram de forma equitativa em todo o território. Pelo contrário, permitiram que o turismo se tenha apoderado das grandes cidades, de forma insustentável e desmedida, condicionando oportunidades e retirando condições de vida a todos.

 

Que país é este, que temos vindo a criar ao longo das ultimas décadas, e para quem? Um país onde é um infortúnio não nascer ou não ter família em cidades como Lisboa ou Porto. Um pais onde a renda mensal de um apartamento nestas duas cidades ascende não raras vezes aos mil euros! E já agora, quantos casais jovens se podem dar ao luxo de despender mil euros do seu rendimento mensal só para a renda da casa?

 

A solução do problema talvez passe por um maior investimento nas cidades do interior, onde é possível adquirir terreno para construir a casa dos nossos sonhos por um valor que não teremos que ficar a pagar ao longo de toda a vida, como acontece quando optamos por um apartamento na cidade, ou pelo aluguer de uma habitação que, na prática, nunca será nossa!

 

Se analisarmos bem, as nossas grandes cidades quase já não são portuguesas! Basta olhar para aqueles que economicamente as podem habitar, e para os idiomas que falam…

 

Trazer pessoas do litoral para viver no interior não se me afigura tarefa fácil. A cultura, o cinema e a vida nocturna a que estão habituados é desde logo um elemento desmotivador. Se a isto juntarmos a falta de acessibilidades e os constrangimentos que se verificam na educação e na saúde, entre outros, percebemos que muito provavelmente o país continuará “inclinado” para o litoral.

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Nascido em Luanda - Angola em Junho de 1955. Em 1970 imigrou para a África do Sul, onde conclui o Ensino Secundário, e em março 1976 volta para Portugal, tendo fixado residência em Resende. Trabalhou como Técnico de Instalações Elétricas na Federação de Municípios do Distrito de Viseu entre 1977 e 1984, altura em que ingressou nos quadros de pessoal da EDP, onde se manteve até Fevereiro de 2008, tendo saído para a Pré-Reforma. Foi Presidente da Casa do Povo de Resende (IPSS) entre agosto 2002 e maio 2016. No âmbito do associativismo, faz ainda parte dos órgãos sociais da Associação de Karate Shotokan de Resende, do Clube de Natação de Resende e da Casa do Benfica em Resende. Foi vereador da Câmara Municipal de Resende, eleito nas listas do Partido Socialista, entre Outubro 2009 e Setembro 2017. Atualmente é membro da Comissão Coordenadora Distrital de Viseu do Bloco de Esquerda.

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