Aço ou porcelana?

Você é de porcelana, amor/ Por mais que tente negar/ E que negue muito bem/ A ponto de todo mundo acreditar
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Você é de porcelana, amor
Por mais que tente negar
E que negue muito bem
A ponto de todo mundo acreditar
Você é de porcelana
Mas você se pintou com uma tinta
Que parece aço
E todos pensam
Que você é feita de aço
Mas você não pode ser moldada
Como aço
Mas você não pode ser dobrada
Como aço
Ou permanece firme
Ou quebra
O famoso “oito oitenta”
Que você gosta tanto de falar
E apesar de você segurar suas
lágrimas de tristeza
Apesar de chorar escondido
Todas as vezes
Teve um dia
Que você chorou no meu colo
E quando eu enxuguei suas lágrimas
A tinta que parecia aço saiu
E eu pude ver a porcelana
Fina e delicada
Que você tenta esconder
Você se sentiu exposta
Mas eu te abracei
Não deixei que você desistisse
De mim por orgulho
Como eu sei que já fez
Com outros pobres coitados
Os quais, por medo, você não deu nenhuma chance
Sei que ainda tem medo
Que eu me canse de você
Mas acredite
Eu tenho muito mais
Porque te conheço
E sei
Que para você o eterno
É sempre demais
Você esconde as suas rachaduras
E os seus estilhaços
E os cobre com a maldita tinta de aço
Mas eu vi a porcelana
Toquei na porcelana

É frágil, sensível, medrosa
Por isso vou mantê-la
Junto ao meu peito
Que é feito de tijolos feios
E vou cobri-lo com nuvens
Bem macias
Para não riscar sua porcelana

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Ana Haeitmann tem 22 anos e é mestranda em literatura na Universidade Nova de Lisboa. Natural de São Paulo, Brasil, vive em Portugal há quatro anos. Escreve poemas, narrativas e artigos jornalísticos.

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O renascer da arte a brotar do Interior e a florescer sem limites ou fronteiras. Contos, histórias, narrativa e muita poesia.

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