Parasita de sonhos

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Sou a memória dos tolos
Sou a aparência dos fúteis
Sou o rancor dos vingativos
E a ética dos políticos
Verdade que não sou nada
Quem se importa?
Nada floresce nessa terra podre mesmo
Se morrer amanhã o que terei feito?
Poluído mais um pouco o planeta
Gasto a paciência de pessoas inúteis
Lido poluição verbal de famosos
Terei feito o que todos fazemos
Absolutamente nada
E ao mesmo tempo tudo de ruim

Meu cadáver deve dar mais à terra
Do que eu poderia dar em vida
O sentido da vida é morrer
Assim como o destino de algo podre
É ter a sua podridão máxima no final

Terra infértil que nós somos
Praga do mundo e de nós mesmos
Vivemos em parasitismo
Nos sonhos dos outros
Vivemos para que os vermes possam comer mais carnes no futuro

Mas não comerão o suficiente!
Não comerão o mesmo que nós!
Nenhum parasita da carne nos supera
Porque parasitamos o espírito
Criamos leis, sistemas e religião
Criamos uma força maior que nós
Mas respiramos a nossa própria corrupção
Somos a podridão do mundo

Sou a memória dos fracos
Que só souberam perder e chorar
Que nasceram no fundo
De uma doentia cadeia alimentar
Sistema de parasitas
Cadeia alimentar de animais racionais
Deglutindo os sonhos dos mais fracos
Parasitando a esperança dos jovens
Destruindo lentamente
Um futuro que nasceu morto
Vivemos em parasitismo
Dos sonhos dos outros
Quem se importa?
Nada floresce nessa terra podre
Já estamos todos mortos

Ana Haeitmann tem 22 anos e é mestranda em literatura na Universidade Nova de Lisboa. Natural de São Paulo, Brasil, vive em Portugal há quatro anos. Escreve poemas, narrativas e artigos jornalísticos.

O renascer da arte a brotar do Interior e a florescer sem limites ou fronteiras. Contos, histórias, narrativa e muita poesia.

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