Foto de Hernán Piñera | Flickr

Sou a memória dos tolos
Sou a aparência dos fúteis
Sou o rancor dos vingativos
E a ética dos políticos
Verdade que não sou nada
Quem se importa?
Nada floresce nessa terra podre mesmo
Se morrer amanhã o que terei feito?
Poluído mais um pouco o planeta
Gasto a paciência de pessoas inúteis
Lido poluição verbal de famosos
Terei feito o que todos fazemos
Absolutamente nada
E ao mesmo tempo tudo de ruim

Meu cadáver deve dar mais à terra
Do que eu poderia dar em vida
O sentido da vida é morrer
Assim como o destino de algo podre
É ter a sua podridão máxima no final

Terra infértil que nós somos
Praga do mundo e de nós mesmos
Vivemos em parasitismo
Nos sonhos dos outros
Vivemos para que os vermes possam comer mais carnes no futuro

Mas não comerão o suficiente!
Não comerão o mesmo que nós!
Nenhum parasita da carne nos supera
Porque parasitamos o espírito
Criamos leis, sistemas e religião
Criamos uma força maior que nós
Mas respiramos a nossa própria corrupção
Somos a podridão do mundo

Sou a memória dos fracos
Que só souberam perder e chorar
Que nasceram no fundo
De uma doentia cadeia alimentar
Sistema de parasitas
Cadeia alimentar de animais racionais
Deglutindo os sonhos dos mais fracos
Parasitando a esperança dos jovens
Destruindo lentamente
Um futuro que nasceu morto
Vivemos em parasitismo
Dos sonhos dos outros
Quem se importa?
Nada floresce nessa terra podre
Já estamos todos mortos

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Ana Haeitmann, 20 anos, é estudante de Português da UC (Universidade de Coimbra). Natural de São Paulo, Brasil, mudou-se para Coimbra há dois anos. Escreve poemas e narrativas, com o jornalismo como amante.

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O renascer da arte a brotar do Interior e a florescer sem limites ou fronteiras. Contos, histórias, narrativa e muita poesia.

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