Em junho de 1969 (já passaram 50 anos) deu-se a revolta de Stonewall, composta de várias manifestações espontâneas de pessoas LGBT contra a invasão da polícia de Nova York do bar Stonewall Inn. Este acontecimento é um marco para as lutas L, G, B, T, I e, importante não esquecer, +. Um marco que importa para todas as pessoas que não se conformam com imposições normativas sobre como devem ser no que ao amor, sexo e género diz respeito.

Atualmente, por todo o mundo, concentram-se neste mês diversas iniciativas, marchas, manifestações, notícias, artigos em defesa dos direitos LGBTI+, é um mês propício à causa, à luta, ao orgulho e, acima de tudo, à reflexão.

Afinal passaram 50 anos desde Stonewall, mudou tudo e nada mudou, a causa continua a ser pertinente, num mundo cada vez mais polarizado.

Se, por um lado, cada vez mais movimentos e ativistas surgem empunhando bandeiras coloridas, também as reações -fóbicas não cessam.

A consciência do direito e liberdade à diferença permitem identificar e nomear estes comportamentos de ódio e violência contra homossexuais (homofobia), transexuais (transfobia), lésbicas (lesbofobia), assexuais ou arromânticos (acefobia)…

Os episódios de violência e violação dos direitos humanos das pessoas LGBTI+ estão longe de estar restringidos à história, a violência ainda é comportamental e verbal, mas também física. Foi a 30 de maio que a Melania e a Chris foram espancadas por um grupo de homens por recusarem beijarem-se num autocarro em Londres.

É de pertinência inegável que em Portugal surjam todos os anos novas marchas: se em 2018 Viseu já marchou e voltará a marchar em 2019 (20 de outubro), se em Vila Real há três anos que se vêm arco-íris aos montes, em 2019 temos estreias em Aveiro (15 de junho) e Barcelos (13 de julho).

Esta proliferação de marchas a todas as cores enche-me de orgulho, é o despertar de um país que em muitos aspetos ainda vê a preto e branco.

Mas se me enchem de orgulho as estreias e confirmações das iniciativas mais recentes, também me enchem de orgulho as veteranas, como o Porto, que este ano se assume inegavelmente anticapitalista. Esta é uma posição de resistência face a uma tendência global de capitalização das causas e dos direitos humanos e deve instar à reflexão: até que ponto é um patrocínio inócuo? Aceitar apoios de entidades cuja idoneidade não temos forma de comprovar não é vender uma causa ao desbarato? Até que ponto estes contributos não nos afastam do essencial, do manifesto, das ideias?

Junho de 1969 passou e no entanto nunca foi tão forte, uma força que se estende para além do mês e para além de Nova York.

Junho continuará a ser lembrado enquanto necessário. Junho continuará a unir vozes: pela igualdade, pela diversidade, pela liberdade, pela inclusão, pelo amor e pelo direito à identidade.

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Nasceu em Coimbra. Cresceu em Coimbra, com fortes raízes familiares em Castelo de Paiva e no Porto.
Reside em Viseu. Não voou para longe, mas encontrou uma outra casa.
Desde cedo, manifestou interesse em áreas comumente assumidas como divergentes: literatura, ciência, arte, medicina, religião, filosofia, política.
É procurando uma abordagem crítica e interdisciplinar do mundo e da humanidade que decidiu formar-se em Antropologia.
Atualmente "existe" em diversos desígnios e lutas. Desde a militância no Bloco de Esquerda ao ativismo na Plataforma Já Marchavas, passando por diversos projetos culturais onde se cruza com a filosofia (Nova Acrópole) ou o cinema (Nómada Malabarista).

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