Os Centros de Inativação de Explosivos e Segurança em Subsolo podem, até ao final do ano, sair de Mirandela, Viseu, Castelo Branco, Leiria e Beja para Lisboa, Porto e Faro. Passados meses desde que esta intenção foi anunciada, permanecem as incertezas quanto ao real futuro dos agentes policiais destacados para estes Centros.

Esta é uma subunidade da Unidade Especial de Polícia criada em 2000 que tem como função a deteção e inativação de engenhos explosivos e de segurança no subsolo, estando treinada e capacitada para atuar em ambientes perigosos e insalubres, nomeadamente contaminados com agentes biológicos, químicos, nucleares ou radioativos, de que são exemplo áreas infectadas com Covid-19.

Outra das funções desta especialidade é a formação de todos os agentes policiais para que estejam preparados para o manuseamento de explosivos e outras matérias perigosas, assim como a prevenção em escolas dos perigos dos explosivos e formação de de quem trabalha em locais de grande afluência como centros comerciais e hipermercados.

Os agentes destes Centros têm ainda um importante papel relacionado com o setor da pirotecnia e com as pedreiras (onde são utilizados explosivos), atividades muito presentes na nossa região. A área de intervenção do grupo de Viseu, por exemplo, é, a nível nacional, a que mais fábricas de pirotecnia abrange.

Estas são especificidades locais do serviço desempenhado por estes polícias que poderão ser colocadas em causa com a concentração dos serviços em Lisboa, Porto e Faro e que não estão, claramente, a ser tidas em conta nessa decisão.

Como não pode estar a ser tida em conta a segurança das pessoas. Como pode um serviço prestado por policiais com formação altamente específica e com uma área de intervenção tão sensível, ser deslocado e centralizado em apenas três pontos do país, mantendo-se as mesmas exigências locais para segurança das populações?

Há ainda o carácter da litoralização de um serviço que vai interferir com a vida de cerca de trinta famílias, que possivelmente se vão ter que deslocar para Lisboa, Porto ou Faro. Falamos também de mais um serviço que abandona o Interior e a proximidade com as suas necessidades.

Tudo isto parece contraditório à existência de um Ministério da Coesão Territorial, que deveria existir, precisamente, para garantir que fenómenos deste género não acontecem, ou à existência dos apoios do programa Programa Trabalhar no Interior.

Por todos estes motivos, o Governo foi questionado em julho sobre o assunto, mas continua sem dar resposta, apesar dos trinta dias de que dispunha para o fazer. Porque a situação não pode ser esquecida nem está resolvida, o Bloco de Esquerda voltará a insistir na obtenção de esclarecimentos por parte do Governo.

No Interior, ao longo dos anos, já encerraram escolas, tribunais, serviços de saúde, balcões de bancos, estações dos correios e até juntas de freguesias entretanto extintas. Encerramentos, extinções e “reorganizações” que apenas foram contribuindo para o despovoamento das nossas aldeias, vilas e cidades e colocando cada vez mais em causa a qualidade de vida das pessoas que as habitam. E agora: e se o interior explodir?

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Nasceu em Coimbra. Cresceu em Coimbra, com fortes raízes familiares em Castelo de Paiva e no Porto.
Reside em Viseu. Não voou para longe, mas encontrou uma outra casa.
Desde cedo, manifestou interesse em áreas comumente assumidas como divergentes: literatura, ciência, arte, medicina, religião, filosofia, política.
É procurando uma abordagem crítica e interdisciplinar do mundo e da humanidade que decidiu formar-se em Antropologia.
Atualmente "existe" em diversos desígnios e lutas. Desde a militância no Bloco de Esquerda ao ativismo na Plataforma Já Marchavas, passando por diversos projetos culturais onde se cruza com a filosofia (Nova Acrópole) ou o cinema (Nómada Malabarista).

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