Por entre montes esculpidos descemos suavemente, emoldurados pela lã de rebanhos.
Encontrámos uma casa de face voltada à vasta paisagem da serra verde, de um verde humilde e antigo, e salpicada por rocha.
O sol brilhava forte, mas o vento corria sem medo.
Uma paisagem que vigia e intimida, mas que também desafia os corajosos.

Por um trilho de pedras vivas, manchado de poças tornadas cristal pela noite, caminhámos sem medo, a olhar a serra de frente.
A adentrar o ventre da montanha, fértil e misterioso, poucas horas acariciado pelo sol.
Sol que dourava o cume lá no alto e fazia a água do ribeiro soar mais fresca. Uma água viva e irrequieta, pura e envolvente, a fazer coro com os pássaros madrugadores e o rumorejar das folhas cinza das árvores anciãs.

Aqui tudo é o que é.
Os fios que entrançam o dia relaxam e estendem-se perpetuando os segundos.
O corpo não sente o frio ou a dor, o corpo está.
E entre braços amigos consigo ouvir claramente o silêncio.

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Nasceu em Coimbra. Cresceu em Coimbra, com fortes raízes familiares em Castelo de Paiva e no Porto.
Reside em Viseu. Não voou para longe, mas encontrou uma outra casa.
Desde cedo, manifestou interesse em áreas comumente assumidas como divergentes: literatura, ciência, arte, medicina, religião, filosofia, política.
É procurando uma abordagem crítica e interdisciplinar do mundo e da humanidade que decidiu formar-se em Antropologia.
Atualmente "existe" em diversos desígnios e lutas. Desde a militância no Bloco de Esquerda ao ativismo na Plataforma Já Marchavas, passando por diversos projetos culturais onde se cruza com a filosofia (Nova Acrópole) ou o cinema (Nómada Malabarista).

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O renascer da arte a brotar do Interior e a florescer sem limites ou fronteiras. Contos, histórias, narrativa e muita poesia.

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