Foto por Catarse

Mais uma Marcha. A terceira. A terceira Marcha LGBT+ de Vila Real.
No século da inovação, no século das Novas Tecnologias, ainda nos deparamos com bastantes desigualdades. Deparamo-nos, hoje, com a forte ascensão das vozes de ódio da extrema-direita. Vozes que se levantam com o objetivo de ferir a comunidade LGBT+ e de corroer a opinião pública. Continuamos a assistir à privação desses direitos que são tão básicos como o direito à educação e à saúde. E falamos de direitos que passam, única e exclusivamente, por papeis. Por burocracias. E mais uma vez, a coragem dos valentões políticos dos abraços e da compreensão, desmascarou-se e voltou à sua forma original: a forma medieval, elitista, primária, preconceituosa e que continua, às claras, a prestar vassalagem aos interesses da religião predominante, neste estado que se diz laico.

A autodeterminação de género não é um privilégio: é um direito fundamental à existência humana.

É um direito à felicidade, à livre determinação de si. Tal como a intersexualidade. Tal como todas as formas de ser feliz o são. A felicidade individual deveria ser o primeiro de todos os direitos. Mas por que tanto custa aceitar a felicidade do outro?

Saímos à rua por acreditarmos numa sociedade que se respeita, que se dá ao respeito, que se ama a si própria. Porque acreditamos num estado igualitário, onde a orientação sexual, a trans e intersexualidade não são obstáculos à hegemonia, mas sim parte integrante desta.

Saímos à rua por todas e todos que ficam em casa: por vergonha de si mesmos, pelo medo que a rua lhes ensinou a ter, pelo pensamento afligido de ver as famílias que os abandonam, pelos patrões que os perseguem, pelos amigos que se tornam inimigos.

Pela solidão antecipada, pelo vazio que vem depois. Somos a voz de todas e todos os que não podem expressar livremente o amor por si ou por outrem.

Mas aqui estamos nós. Em Vila Real. Levar Vila Real para o mapa da igualdade. Para ensinar Vila Real que a liberdade é para todos. Para acabar com a ignorância de quem não aceita e de quem repudia. Estamos aqui para não deixar as instituições competentes adormecerem o assunto, para alertar as forças de segurança, o dever proteger as cidadãs e os cidadãos, independentemente do género, etnia ou orientação sexual.

Porque é dever do Estado, das autarquias, da escola pública e de todas as instituições educar para a igualdade e proteger as suas cidadãs e cidadãos, mas que infelizmente pouco ou nada tem acontecido neste sentido.

E somos nós, organizações voluntárias, que andamos na rua e nas escolas a formar a futura sociedade.

Basta de incompetência estatal, da desresponsabilização dos seus deveres e de termos cidadãs e cidadãos de primeira, de segunda e até de terceira.

Não à discriminação. Não ao discurso de ódio. Sim à tolerância. Sim ao direito à igualdade. Ninguém larga a mão de ninguém. Ninguém ficará para trás. A luta ainda agora começou.

Outros artigos deste autor >

CATARSE é transformação, CATARSE é liberdade de expressão. CATARSE é a nossa vontade de progredir/actuar socialmente, em busca da igualdade. CATARSE é manifestação, é luta.
CATARSE é contra qualquer atentado à liberdade/dignidade Humana.

Deixe o seu comentário

Skip to content