No passado dia 20 de julho, realizou-se em Vila Real uma tertúlia, organizada pela Catarse / Movimento Social, que abordou as lutas antifascistas.

A tertúlia realizou-se no Club de Vila Real e contou com a presença de dois convidados: José Manuel Lopes e João Duarte.

José Manuel Lopes, nascido e criado em Peso da Régua, cedo se deparou com as injustiças sociais de um Estado que de Novo já tinha pouco. Combatente no Ultramar, deparou-se, muitas vezes, com as consequências de um sistema totalitário que perseguiu e torturou muitos portugueses e patriotas africanos. José Manuel Lopes foi uma das faces visíveis da consequência de um conflito que não era seu.

João Duarte é investigador na área da História da Arte e Museologia. Está a desenvolver investigação na Universidade de Santiago de Compostela e na Universidade do Porto na área do Património Cultural na região Douro.

A exibição do documentário Museu da Vergonha | Memórias antifascistas vem na sequência de um leque de tertúlias que a Catarse está a organizar. O projeto Museu da Vergonha (levado a cabo por Luis Monteiro e José Castro) nasce de um conjunto de conversas com testemunhos de várias personalidades e presos políticos como Jorge Pisco (último preso político). O edifício funcionou como símbolo da repressão fascista no Porto e Norte do país. Lá, foram executados e encarcerados milhares de democratas, lutadores e pensadores antifascistas. O documentário é uma curta-metragem que recolheu e reuniu vários testemunhos e depoimentos de ex-presos políticos, historiadores, museólogos que se uniram com o objetivo de criar um pólo do Museu Nacional da Resistência e da Liberdade no Porto.

Dos escombros de políticas ultraliberais, levantam-se, do passado, movimentos nacionalistas, fascistas, racistas, xenófobos e homofóbicos. Assiste-se, hoje, a uma ascensão das direitas extremistas. A ascensão da extrema-direita só se explica pela forma como o discurso de ódio, a xenofobia, o racismo, o sexismo e a homofobia ganham força na sociedade. As políticas da extrema-direita têm vindo a ganhar espaço na sociedade e têm atacado os direitos sociais. É preciso enfrentar a extrema-direita, rejeitar o discurso de ódio e denunciar a sua completa ausência de alternativa. Fechámos, no passado, portas ao nacionalismo. Fechámos portas aos regimes fascistas. E temos de voltar a fechar portas aos movimentos que, de forma desavergonhada, se vão mostrando.

A Catarse / Movimento Social tem como objetivo não deixar esquecer o passado para que o futuro da sociedade não fique comprometido com movimentos antidemocráticos e fascistas.

É preciso que as memórias perdurem no tempo.

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