Foto por Catarse | Raquel Teixeira

Foi revelado nos últimos dias que foi assassinada mais uma mulher. Desta vez em Lisboa. Tinha 42 anos e estava desempregada. Sofria desde 2017. Já tinha denunciado duas vezes a situação às autoridades e nada aconteceu ao agressor. Aconteceu-lhe a ela. Foi morta sem piedade pelo companheiro. Uma nota, emitida pelas autoridades, dá conta de que a violência exercida sobre a mulher culminou com a morte desta.

A violência doméstica é um crime público.

É um dever de todas e todos denunciar os casos às autoridades.

Não nos podemos calar e consentir que, em pleno século XXI, num Europa que se diz justa, assistir à morte de mulheres só porque elas são mulheres. Qualquer tipo de violência, seja ela física, sexual, financeira, social ou psicológica, é um fenómeno do domínio irracional e quando exercido sobre as mulheres é do domínio da cobardia e da indignidade.

Apesar dos avanços que vamos assistindo na nossa sociedade, a violência contra as mulheres ainda é uma situação gravíssima em Portugal. Isso só mostra o atraso civilizacional, cultural, mental da sociedade portuguesa.

Susana Travassos diz, numa música sobre a violência doméstica exercida nas mulheres: Não chorei, não gemi / Não gritei, não senti / Não te olhei, não quis ver / É mais fácil esquecer. Este é o ciclo da violência doméstica: aumenta a tensão, o agressor “excede-se”, torna-se violento e depois envolve a vítima em carinho e atenções. Quando não a mata.

Não aceitamos um Portugal onde as mulheres são humilhadas, assediadas, agredidas, traficadas e mortas. Não aceitamos um Portugal que se demite das suas responsabilidades de zelar por todas e por todos nós. Não aceitamos um Portugal que se resigne a um sexismo implantado, mesmo depois da nossa Liberdade.

É preciso lutar. É preciso vir para a rua. É preciso consciencializar a sociedade para a doença que se instalou, enraizou e insiste em ficar. É preciso não esquecer as 16 mulheres que morreram. É preciso não esquecer aquelas que estão em casa e que estão a sofrer. É preciso não esquecer aquelas que querem falar, mas têm medo. Porque a sociedade ensinou-lhes a ter medo, a ficarem caladas, a permanecerem no lar para zelar pela moral e bons costumes.

Não queremos bons costumes! Queremos uma sociedade democrática, tolerante e que não finja a violência diária exercida sobre as mulheres.

Vamos lutar ao vosso lado. Por vós. Por todas! Não se esqueçam: não estão sozinhas!

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