A militância

De dois elementos fundamentais se faz a militância: convicções e fidelidade.
Imagem de Luisella Planeta LOVE PEACE 💛💙 por Pixabay

De dois elementos fundamentais se faz a militância: convicções e fidelidade. Não apenas fidelidade às convicções como àqueles com os quais se partilham as mesmas. E não apenas de convicções cristalizadas em dogmas mas convicções que se constroem, que evoluem e se solidificam. Com os camaradas com os quais se faz caminho têm-se também divergências, algumas zangas, pequenos arrufos, incompatibilidades mútuas, equívocos… e, no limite, ruturas. Mas sem esta fidelidade consolidada nas convicções não há projeto político que avance, vontade coletiva que se construa, força bastante para enfrentar obstáculos que se desejam ultrapassados. E é desta relação simbiótica entre convicções e fidelidade de que se alimenta quer a perseverança, quer a esperança. As circunstâncias históricas podem afigurar-se sombrias, inelutáveis, de dimensões quase titânicas, mas o mundo do militante ainda não é este, a um tempo tão próximo como se o pudesse tocar ou cheirar, e, a outro tempo, distante, rarefeito, espectral, quase utópico. A relação entre convicções e fidelidade está para a vida política tal qual a relação entre razão e fé está para a teologia cristã; é da fé num outro mundo, numa outra possibilidade de sermos em conjunto, de que se alimenta a razão, e a razão, por seu turno, soma continuamente argumentos que fortalecem a fé. E é na mesma relação dialética que as convicções fortalecem a fidelidade e a fidelidade justifica as convicções. A felicidade do militante, a alegria com que contagia as suas lutas e de seus compagnons de route, deve-se a esta presença/ausência que o motiva, que o impulsiona em direção ao futuro, que não o permite sucumbir às águas turvas do desespero. O militante, por via de suas convicções e da sua fidelidade, experiencia já, no aqui e agora (hic et nunc), essa outra vida que tão apaixonadamente apregoa e sobre a qual delira. Sem nunca se resignar ele sabe que um outro mundo é (sempre) possível.

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Nasce em 1986 e habita nesse território geográfico e imaginário que é o Interior. Cresce em Viseu e faz a sua formação universitária na Covilhã, cresce tendo a Serra da Estrela como pano de fundo. As suas áreas de interesse académico são a filosofia, a política e a literatura. Actualmente está a terminar um doutoramento em filosofia.

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