No início da pandemia da covid-19, em março de 2020, o concelho de Ovar foi um dos primeiros a ser severamente afetado pela infeção. O gráfico de infetados em Ovar destacou-se consideravelmente e de forma inquietante comparativamente a nível nacional. Ovar foi o primeiro concelho onde se utilizou o conceito de infeção comunitária e foram encerrados os comércios e a generalidade das empresas industriais. 

Devido à imprevisibilidade da evolução da pandemia da covid-19, a implementação de uma cerca sanitária a um território não está completamente fora de questão. O primeiro passo para criar uma proposta de intervenção social é a identificação dos vários conceitos integrantes nestes processos, neste caso os interventores, um deles é a população que se vê privada de vários direitos fundamentais, como o direito à circulação e à liberdade. Assim, as propostas das autarquias e nestes casos dos Departamentos Sociais e de Saúde deve ser no sentido que cumprir as necessidades destas populações, que se viram alteradas de forma repentina. 

Neste contexto, e pudemos ver isso em Ovar, conseguimos perceber que os serviços públicos não estão minimamente preparados para combater um cenário de pandemia porque os serviços públicos e sociais devem ser eficazes e não o são. 

Cabe ao programa de intervenção social preocupar-se principalmente com as comunidades socialmente mais desfavorecidas do concelho, quer por questões de insalubridade em contexto habitacional, quer em necessidades nutricionais, baixa literacia em saúde e isolamento social. 

Portanto, este Serviço Social deve-se recriar devido ao contexto, dando fundamento à promoção dos direitos do ser humano, nomeadamente no direito aos cuidados, à justiça social, à igualdade de oportunidades e a um tratamento de dignidade. Para isto, é essencial uma coordenação estrutural entre as diversas áreas políticas públicas e os diferentes parceiros na área da saúde e social do concelho.

Assim sendo, as linhas orientadoras para um programa de intervenção social em contexto de emergência é o seguinte: 

  • Transparência e objetividade na informação: Muitas vezes é necessário garantir que “se passa a mensagem” de forma clara e para isso é importante criar formas de comunicação, criativas. É na conceção das medidas mais simples, como por exemplo, a importância da etiqueta respiratória ou a lavagem das mãos que podemos combater a pandemia. Também o contato pessoal deve ser completamente evitado, mas sabemos dos prejuízos que esta situação traz ao nível da saúde mental, para resolver esta questão também é imprescindível encontrar novas formas de comunicação familiar;
  • Ativar a rede de parceiros, como por exemplo, na procura de locais para fazer o isolamento profilático;
  • Objetividade no plano de contingência que se vai aplicar, nomeadamente no que diz respeito às responsabilidades de cada entidade e a sua hierarquização;
  • Deve haver uma atualização constante da rede de suporte da comunidade onde os afetados se inserem;
  • Uma boa organização da equipa de Serviço Social, com um sistema de rotatividade onde existam pausas e descansos para garantir uma resposta adequada;
  • É imprescindível fazer reuniões diárias, com recurso a uma plataforma informática, onde sejam discutidos os casos e a resposta à crise. Este exercício é fundamental;
  • O plano de intervenção deve ser ajustado conforme as necessidades que vão surgindo;
  • Acompanhar o doente e sua família na adaptação a este novo cenário;
  • Integrar os assistentes sociais nas equipas de saúde pública;

Esta resposta seria claramente mais fácil se existisse, anteriormente, uma aplicação eficaz de políticas públicas nos serviços públicos, na repartição do rendimento, nas leis do trabalho, na oferta da habitação pública e de qualidade, nos transportes coletivos. A intervenção técnica para emancipar os grupos mais vulneráveis e desfavorecidos tem de ser uma resposta multidisciplinar, integrada e suportada com recursos públicos dignos e suficientes. 

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Diego Enrique Rodrigues Garcia, nasceu no dia 1 de Agosto de 1992 em Ourense, na Galiza. Desde 2009 que reside continuamente em Portugal, na região da Beira Alta.
Ativista social e independentista galego, está ligado ao movimento associativo na área ambiental, do bem-estar animal e da juventude. Autarca em Carregal do Sal e dirigente do Bloco de Esquerda no distrito de Viseu
Atualmente a realizar uma licenciatura em Estudos Europeus na Universidade Aberta.

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