Hoje assinala-se o Dia Internacional para a Eliminação da Violência Contra as Mulheres. De 1 de janeiro a 31 de outubro a Coolabora atendeu 103 novos casos de violência doméstica, a que se soma o acompanhamento de mais 109 de anos anteriores. Destas 212 pessoas quase 90% são mulheres.

Segundo comunicado da Coolabora, “os pedidos de apoio caíram vertiginosamente no período de confinamento, momento em que registámos uma quebra de 75%, pelas dificuldades em pedir ajuda que a coabitação implica. Neste momento o número de pessoas em acompanhamento está já ao nível de 2019. Sabemos que há mais violência doméstica mas também que o acumular de medos que a pandemia comporta, relacionados com a crise económica, com a convivência, com a menor mobilidade os abafam. É importante que estejamos atentas e atentos, como colegas, como vizinhos, como familiares, porque a violência que agora vivemos poderá ter efeitos traumáticos a longo prazo.”

“Uma maior permanência em casa, uma convivência familiar mais próxima, por vezes em espaços exíguos, numa situação económica que de um modo geral tende a tornar-se mais precária fez com que as violências vividas se viessem a agravar. O lar doce lar para muitas mulheres vítimas de violência não é um porto seguro, mas o cenário de uma guerra que é vivida dia após dia”, sublinha a organização.

Até 31 de outubro, no total, a Coolabora acompanhou 212 situações de violência doméstica, fizeram 347 atendimentos presenciais e 1404 atendimentos telefónicos. Em 75% dos casos foi apresentada queixa. Mas deixam também uma “mensagem de esperança”, dos 103 novos casos, 38 libertaram-se, somando a mais 12 que estavam em acompanhamento anteriormente. “No total, vimos 50 mulheres tomarem conta dos seus destinos e libertaram-se do ciclo da violência.”

“O Dia 25 de Novembro, declarado pela ONU como dia internacional para a eliminação da violência contra as mulheres vem lembrar que esta forma de violência não pode ser confundida com todas as outras porque tem raízes específicas. Há um problema estrutural de desigualdade de poder em desfavor das mulheres que perpassa toda a nossa sociedade e que faz com que uma em cada quatro mulheres com mais de 15 anos viva ao longo da sua vida pelo menos uma situação de violência. Este problema tem impacto nas mulheres, nas suas crianças, nas famílias e em toda a sociedade. Basta lembrar que as 16 mulheres que este ano foram assassinadas no âmbito de relações de intimidade deixaram 21 orfãos.”, enquadra o comunicado.

 

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