Foto de Paula Nunes | Esquerda.net

Bloco de Esquerda consolida-se como terceira força política em Portugal, numa noite eleitoral em que o PS não alcança a maioria absoluta. Estas eleições culminaram numa derrota histórica da direita e na entrada de três novos partidos no parlamento.

O Partido Socialista de António Costa venceu as eleições legislativas sem alcançar maioria absoluta, necessitando assim de procurar novos acordos no hemiciclo. A noite eleitoral foi marcada por uma derrota histórica dos partidos de direita e pela entrada de três novos partidos na Assembleia da República: Livre, Iniciativa Liberal e Chega.

O PS alcançou 36,6% (1 866 407) dos votos, obtendo assim 106 lugares no parlamento. Sem maioria absoluta, António Costa voltará a ter de procurar acordos entre os restantes partidos. Mantendo a tendência das eleições anteriores, a abstenção atingiu um novo máximo em legislativas: 45,5%.

O Bloco mantém os dezanove deputados eleitos, consolidando-se assim como terceira força política em Portugal com 492 487 votos. Foram eleitos pela primeira vez dois deputados pelos distritos de Aveiro e Braga.

Em reação ao resultado eleitoral, Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, foi clara: “não temos tabu nem fazemos suspense”. O Bloco “manifesta a sua disponibilidade” se o PS “precisar de maioria” para a continuidade da “reposição de direitos” no quadro da legislatura ou em “negociações ano a ano para cada orçamento”.

Mesmo com a entrada de duas novas forças políticas de direita e extrema direita, a derrota desta ala é clara. Todos somados, a direita não chega a 35% dos votos, ainda que faltem apurar os círculos da Europa e Fora da Europa. De fora da equação fica o PAN que continua a afirmar não ser “nem de esquerda, nem de direita”.

O CDS foi um dos maiores derrotados da noite, vendo o seu grupo parlamentar reduzido a cinco deputados (4,2%, 216 448). Ainda a noite eleitoral ia a meio quando Assunção Cristas declaro que não se irá recandidatar à liderança do partido. Também o PSD teve um dos piores resultados da sua história: 27,9% (1 420 553) e 77 deputados eleitos. A CDU perde cinco deputados, recuando para 6,4% (329 117 votos). Heloísa Apolónia, dos Verdes, sai após 24 anos no parlamento, tendo sido cabeça de lista pela primeira vez pelo distrito de Leiria.

Entre as novidades estão o aumento do PAN, que passa de um deputado para um grupo parlamentar de quatro (166 854). O parlamento tem agora dez partidos após a entrada de três novos. Cada um destes elegeu um deputado, e todos por Lisboa. A extrema direita do Chega elegeu André Ventura (66 442), a Iniciativa Liberal elegeu João Cotrim Figueiredo (65 545) e o Livre Joacine Katar Moreira (55 656).

Por último, este é ainda o parlamento com mais mulheres deputadas. De 75 eleitas em 2015, agora são 89 as mulheres que irão desempenhar o cargo de deputadas à Assembleia da República – sendo que ainda há quatro mandatos por apurar fora de Portugal.

Artigo publicado em Esquerda.net

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