O deputado bloquista Ricardo Vicente questionou o Ministério da Agricultura acerca do levantamento dos impactos e prejuízos causados pela queda de granizo em abril e maio e quais as medidas que o Governo prevê aplicar para responder às dificuldades dos produtores afetados. Texto esquerda.net

Alguns eventos meteorológicos extremos recentes afetaram várias culturas agrícolas e causaram uma redução substancial de rendimentos para os agricultores. No dia 19 de abril, houve trovoadas fortes e granizo no Vale da Vilariça, na Região de Trás-os-Montes, afetando as produções de pêssego, cereja, vinha e hortícolas. O Presidente da Associação de Regantes do Vale da Vilariça, Fernando Brás, declarou à agência Lusa que “há alguns pomares de cereja e pêssego afetados a 100%”, acrescentando que, para além dos pomares, a cultura da vinha e várias culturas hortícolas foram afetadas, estando em causa muitos hectares de cultivo.

No dia 31 de maio a ocorrência repetiu-se de forma dramática em vários concelhos, com precipitações intensas, granizo e ventos fortes. A “tempestade arruinou todo o ano agrícola na Cova da Beira”, foi título de notícia do Jornal do Fundão, que identifica os concelhos da Covilhã, Fundão, e Belmonte como concelhos mais afetados.

Na sequência destes eventos o Bloco de Esquerda questionou o Governo. Segundo o deputado bloquista Ricardo Vicente, “o Bloco de Esquerda quer saber se o Ministério da Agricultura já garantiu o levantamento dos impactos e prejuízos e quais as medidas que o Governo prevê aplicar para responder às dificuldades dos produtores afetados e prevenir ocorrências futuras”.

“Com as atuais alterações climáticas em curso prevê-se um crescimento substancial do número de eventos meteorológicos extremos, em especial para o contexto português, pois o clima mediterrânico é suscetível a este tipo de eventos e Portugal é considerado a nível internacional um hotspot das alterações climáticas”, expõe o Bloco de Esquerda no documento apresentado ao Governo. E alerta que, “segundo o Portal do Clima, tomando como referência a estação meteorológica de Castelo Branco, prevê-se um aumento da temperatura média anual de 5,3ºC até 2100 na região”.

Justificando que as explorações agrícolas não estão todas submetidas ao mesmo nível de risco, pois “os sistemas de produção mais diversificados são mais resilientes aos eventos extremos, como as grandes precipitações, secas e temporais, mas também ao surgimento de novas pragas e doenças”, situação que tende a agravar-se com as alterações climáticas, o Bloco questiona também o Governo sobre a sua disponibilidade para “conduzir a transposição da Política Agrícola Comum do quadro comunitário 2021-2027 no sentido de apoiar os agricultores a diversificar os sistemas de produção e a deixar de promover a monocultura”.

Segundo o deputado Ricardo Vicente, “o próximo quadro comunitário tem de impulsionar a transição ecológica agroflorestal, promovendo a diversificação da produção, com rotações e consociações, como forma de mitigar as alterações climáticas, reduzindo o consumo de energia, adubos e pesticidas”. Os sistemas de produção diversificados têm as suas colheitas repartidas ao longo do ano, correndo por isso menores riscos económicos consequentes dos eventos extremos ou das oscilações de mercado.

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