Recentemente, a Câmara Municipal de Viseu divulgou “uma taxa de cobertura de saneamento em 98% e de água em mais de 99%”. Porém, o Bloco de Esquerda afirma que tem recebido denúncias de pessoas que não têm acesso a estes bens públicos.

Em comunicado, a Comissão Coordenadora Concelhia de Viseu do partido enumera dois exemplos, um em Boa Aldeia e outro em Tondelinha, acrescentando que continuam “a receber contactos com outros, noutros pontos do concelho.”

“Por muito elevados que sejam os números divulgados pelo executivo municipal, o Bloco de Esquerda entende que todos os esforços devem ser tidos até que todo o território e todas as habitações do concelho de Viseu tenham acesso à água e ao saneamento, como um direito universal!”, defende o Bloco.

Neste sentido, através da deputada municipal eleita, Catarina Vieira, questionaram a Câmara “sobre se tem conhecimento destas situações; se tenciona intervir no sentido de as resolver, sem imputar às famílias custos de extensão de ramais públicos; onde estão localizadas as habitações correspondentes aos 2% sem cobertura de saneamento e aos cerca de 1% sem cobertura de água.”

Em Boa Aldeia, uma família que tem pedidos para ligação ao ramal público de água e saneamento desde 2009 aos SMAS, à Câmara Municipal de Viseu e à Junta de Freguesia, apenas obteve como resposta que “as habitações não são abrangidas pelo sistema público de distribuição e que devem ser os moradores a pagar as ligações.”

Tal corresponde a valores que, na mais recente resposta, ascendem aos €2.401,96, em 2010 eram pedidos €4.719,71. “A situação é, por agora, partilhada por duas habitações, estando prevista a possibilidade de construção de mais, na Rua do Sagrado Coração de Jesus.”

Já em Tondelinha, na Rua do Santíssimo, “existem neste momento cinco casas habitadas sem ligação ao saneamento e à água, bem como uma casa em construção e vários terrenos loteados que se deparam com a mesma realidade.”

A casa mais antiga tem cerca de 30 anos , existindo outras com mais de dez. “As pessoas que aqui moram vivem preocupadas com a dependência dos furos e poços, ficando sem qualquer alternativa de abastecimento de água, caso os mesmos falhem. A própria manutenção das fossas, em alternativa ao saneamento, incorre em custos consideráveis para a sua manutenção”, acrescenta o Bloco.

Um dos moradores obteve como resposta do SMAS, em setembro de 2020, que o saneamento “no local em causa não existe, de momento, rede pública de esgotos pelo que a requisição ficará sem efeito e será arquivada”. Sobre a ligação à água foi apresentado um valor inicial de € 4.210,58 para instalação do ramal. O valor foi posteriormente revisto, mantendo-se ainda assim nos € 2.291,93.

 

Água e Saneamento ainda não chegam a todo o lado em Viseu: “prédios não abrangidos pelo sistema público de distribuição” em Boa Aldeia

Casas em Tondelinha sem água e saneamento

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