Está agendado para hoje, no Tribunal de Bragança, o início do julgamento dos sete arguidos acusados do homicídio do estudante cabo-verdiano Giovani Rodrigues, em dezembro de 2019.

Os sete homens, com idades entre os 22 e os 45 anos, estão acusados de um crime de homicídio qualificado consumado e de três crimes de ofensa à integridade física qualificada, dirigidos a outros três cabo-verdianos que acompanhavam Giovani.

O jovem de 21 anos, Luís Giovani Rodrigues, frequentava há cerca de um mês e meio o curso de Design de Jogos Digitais no Instituto Politécnico de Bragança, no campus de Mirandela. Natural de Cabo Verde, veio para Portugal com Elton e Jailson, seus amigos de infância.

Na noite das agressões, Giovani, Elton, Jailson e um outro amigo estiveram no bar Lagoa Azul, onde os confrontos terão tido início já na madrugada de dia 21 de dezembro. De acordo com o relato dos amigos de Giovani ao portal de informação Contacto, não terão havido confrontos físicos ainda dentro do bar. No entanto, quando iam a caminho de casa foram confrontados com um grupo de 15 rapazes armados com cintos, ferros e paus.

Terá sido neste momento que Giovani foi atingido com uma paulada na cabeça, sendo depois encontrado inconsciente numa das avenidas de Bragança, com um hematoma na cabeça, dando indícios de um possível traumatismo cranioencefálico. Dá entrada no Hospital de Bragança na madrugada de dia 21 de dezembro, sendo depois transferido para o Hospital de Santo António no Porto, onde acabaria por morrer a 31 de dezembro. Os contornos do caso chocaram o país, levando à realização de homenagens um pouco por todo o lado. 

Em janeiro de 2020 foram detidos cinco suspeitos da morte de Giovani, que ficaram a aguardar julgamento em prisão preventiva. Em junho foram detidos mais três suspeitos. Em outubro foi finalmente anunciado que 7 dos oito arguidos do caso iriam a julgamento acusados, cada um, de um crime de homicídio qualificado e de três de ofensa à integridade física qualificada.

O julgamento decorre hoje na sala de audiências instalada na Associação Empresarial do Distrito de Bragança (NERBA), garantindo o cumprimento das medidas sanitárias impostas pela pandemia de covid-19, segundo detalha a Lusa. Os ofendidos e a família de Giovani Rodrigues reclamam uma indemnização de valor global superior a 300 mil euros. A autópsia, citada no tribunal, não é conclusiva, na medida em que indica que a causa da morte pode ter sido homicida ou acidental, facto de que se tem valido a defesa.

 

Ver também todos os artigos sobre Giovani Rodrigues no Interior do Avesso.

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