Mesmo após a declaração do Estado de Emergência e da sua efetivação no terreno, o setor da construção continua a trabalhar. O Sindicato da Construção do Norte remete responsabilidades ao Governo pelo perigo a que estão sujeitos estes trabalhadores. Segundo um dos trabalhadores, na Barragem de Daivões em Ribeira de Pena, todas as semanas passam a fronteira Verin-Chaves trabalhadores de Espanha, indicando que vão trabalhar sem estarem sujeitos a isolamento.

O Sindicato da Construção do Norte refere que estes trabalhadores da construção civil estão a trabalhar sem condições de segurança. Indicam que os trabalhadores almoçam todos juntos sem existir qualquer cuidado com as distâncias recomendadas.

Em declarações ao Público, o sindicato considera que “o que foi decidido para o sector da construção quando foi decretado o estado de emergência é de uma irresponsabilidade e de grande desconhecimento de como funciona o sector”. Albano Ribeiro alerta para o perigo de infeção de trabalhadores, indicando que trabalhadores que podem estar infetados continuam a trabalhar.

Albano Ribeiro apela ao Governo que sejam feitos aos trabalhadores testes ao covid-19 o mais rápido possível “porque, se assim não for, será no sector da construção que haverá mais mortes em Portugal”.

Segundo o Presidente do sindicato, alguns trabalhadores que solicitaram equipamento de proteção para trabalhar foram mandados embora “São trabalhadores precários, clandestinos, sem vínculo. Não têm proteção nenhuma”.

A Delegação Regional de Saúde do Norte determinou que todos os cidadãos provenientes do estrangeiro devem cumprir isolamento profilático de 14 dias desde a chegada a Portugal, a partir do dia 19 de março. Segundo um dos trabalhadores, isso não está a acontecer na obra da Iberdrola em Ribeira de Pena. Uma parte dos trabalhadores são espanhóis e passam todas as semanas a fronteira, indicando como motivo ir trabalhar e não são sujeitos a isolamento.

O Presidente da Câmara de Ribeira de Pena também já demonstrou a sua preocupação com esta situação, referindo que “O que sei é que estão 1800 pessoas a trabalhar naquelas obras. Sei que há três empresas que já optaram por suspender a laboração (a Siemens, a Efacec e a Andritz), mas que há todas as outras que continuam a trabalhar. E desconheço que esteja alguém a fazer quarentena no meu concelho, mesmo sabendo que há muitos emigrantes que estão a regressar às suas aldeias, com o perigo que isso pode trazer se não houver cuidado. Tudo isto me deixa muito preocupado”.

 

Escrito por JL

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