Foto por guillermo varela | Flickr

Fazem publicidade para vender máscaras mas não as facultam aos trabalhadores, apresentam como novidades medidas implementadas há anos, anunciam contratações de trabalhadores que não aconteceram. A Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações diz que há “uma enorme campanha” para “limpar a triste imagem” dos CTT. Por Esquerda.net

Em comunicado. lançado esta sexta-feira, a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações acusa os CTT de estar “a promover uma enorme campanha para tentar limpar a triste imagem que têm junto da opinião pública e do Estado Português”.

Os sindicalistas apresentam vários pontos para defender a ideia de que a empresa faz publicidade. Em primeiro lugar, referem que, ao mesmo tempo que é feita publicidade sobre a venda de máscaras, estas “não são fornecidas” aos trabalhadores. Sobre a suposta contratação de “800” trabalhadores desde abril passado, falam de “bizarria” e de “inverdade”. Alegam pelo contrário que “é sobejamente sabido que faltam mais de 550 trabalhadores efetivos e que é necessário contratar mais cerca de 700 trabalhadores para substituição de férias e mais cerca 130 para as tarefas do correio expresso”.

Acrescentam ainda a propagandeada utilização de veículos elétricos na distribuição para lembrar que, “há mais de 4 anos que os CTT utilizam veículos elétricos, desde bicicletas, a “ovos”, a carrinhas, até camiões”. Igualmente consideram que o anúncio de que os CTT “vão pagar vales da segurança social até 2023” é “coisa que já é feita há dezenas de anos”, perguntando-se: “será que trás água no bico?”. E que publicitam contratos “com inúmeras empresas para a distribuição de encomendas e que depois se vem a verificar que “a montanha pariu um rato”.”

Sobre o anúncio de redução de lucros, cerca de 2 milhões de euros no 1º trimestre de 2020, alegam que a administração escamoteia o facto de que a quebra da receita foi apenas de 1,6% “e que em Abril deste ano, quando ameaçaram com o “lay-off” tinham afirmado uma diminuição das receitas de 60%, mentindo deste modo despudoradamente”.

Para a Fectrans, o pano de fundo desta operação é o período de consulta pública sobre a prestação do serviço postal universal e o facto do governo se estar a preparar a revisão do contrato de concessão do serviço postal universal de correios. A administração procurará assim “mascarar a atual situação para poder influenciar o Governo aquando da negociação”. Pelo contrário, a federação sindical julga que “a população e o país têm direito a um serviço postal universal de qualidade, e isso só pode ser conseguido se o Estado Português (Governo) assumir com frontalidade e coragem a renacionalização dos CTT”.

 

Publicado em Esquerda.net a 16 de agosto de 2020.

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