O Bloco de Esquerda esteve em reunião com a Associação de Apicultores do Caramulo, no dia 18 de Setembro, área onde a grande maioria das plantações de eucalipto são pulverizadas com EPIK, um inseticida que contamina o pólen, levando à morte da população de abelhas por envenenamento.

Na reunião foi referido que enquanto as zonas a poente recuperaram a produção de mel após a perda de colmeias com os incêndios em 2017, as produções a nascente, que se encontram perto das plantações de eucalipto de entidades como a Navigator e Altri Florestal, continuam com baixas gravíssimas e que apontam à contínua perda de abelhas intoxicadas.

A aplicação do inseticida EPIK visa a extinção da doença provocada pelo gorgulho-do-eucalipto (Gonipterus platensis). Os pesticidas neonicotinóides apresentam grandes riscos para a abelha melífera e outros polinizadores. Apesar da sua comprovada toxicidade e a existência de soluções biológicas, estas substâncias continuam, ano após ano, a ser aplicadas em grandes quantidades pela indústria mencionada.

As alterações climáticas afetam drasticamente o número de abelhas, um animal bastante sensível aos padrões climáticos das estações do ano. A falta de alimento (provocado por monoculturas como os eucaliptais e as alterações no ciclo de floração das plantas), pragas como a varroa, a aplicação de inseticidas como o EPIK, e herbicidas como o glifosato, fazem com que a sobrevivência desta espécie de insetos e a produção de mel se torne cada vez difícil. Bárbara Xavier, candidata do Bloco pelo círculo de Viseu às eleições Legislativas, relembra a importância das abelhas, especialmente as do mel ibéricas – autóctones – para a polinização, que sendo dos animais mais eficientes nesta matéria coloca em risco a reprodução das plantas, todo o ecossistema natural e produção agrícola.

Os fatores apontados tornam a apicultura uma área de difícil aposta colocando também em risco a sobrevivência da espécie que se encontra em larga escala dependente do cuidado e tratamento humano. No final da reunião o Bloco de Esquerda chamou a atenção para o facto de que apesar dos incentivos disponibilizados, a taxa de sucesso dos projetos de recuperação continua muito baixa e as práticas muito longe do que seria sustentável.

(Escrito por MFS)

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