No dia 15 de Março de 2019, data da primeira greve climática estudantil, estima-se que mais de um milhão e meio de pessoas se tenham manifestado, também em Castelo Branco houve manifestações pelo clima. Seguiram-se várias até a data e vai acontecer a próxima no dia 13 de Março. Que balanço fazem?

O balanço que temos até agora é bastante positivo. Na primeira vez que a Greve Climática Estudantil se realizou, Castelo Branco ficou de fora, não por falta de vontade, mas sim de tempo, pois já era muito em cima da hora quando um grupo de alunos de várias escolas se juntou com o objetivo de participarem na iniciativa. No entanto, na greve seguinte, dia 24 de Maio do ano passado, Castelo Branco não ficou de fora e dezenas de pessoas, não só, jovens de todas as escolas da cidade, mas também professores e educadores com as suas turmas e cidadãos de todas as faixas etárias saíram à rua em forma de manifestação. O mesmo aconteceu no dia 27 de Setembro.

Os mais jovens são muitas vezes acusados de algum desinteresse relativamente à vida pública e ao futuro. Mas este movimento internacional tem provado que afinal os jovens estão preocupados com o futuro. Em Castelo Branco esse movimento também se preocupa com as questões ambientais?

Claro que sim, são preocupações que devem ser de todos nós. Os problemas ambientais não são só os grandes problemas de que se fala nos media e que se discutem no parlamento. A verdade é que também aqui no distrito há problemas que devem ser alvo de maior preocupação por parte da comunidade. Acredito que é fundamental agir e que a manifestação pode ser um ponto de partida para a mudança através da sensibilização e informação. De facto, os jovens são muitas vezes acusados de desinteresse perante as questões públicas pelos mais velhos mas achamos que este movimento vem provar precisamente o contrário, que existe uma grande transformação da posição dos jovens perante os problemas, neste caso ambientais.

Quais são os objectivos da Greve Climática?

O objetivo central da greve climática é mesmo a sensibilização. Acreditamos que isso seja o ponto de partida para a mudança porque é através da sensibilização que conseguimos chamar a atenção das pessoas para os inúmeros problemas ambientais que nos rodeiam e desta forma mudar os nossos comportamentos e ações.

Podem-nos falar um pouco da Week to the future? Para além desta, que tipo de iniciativas fazem para mobilizar os jovens para a greve?

Desta vez decidimos apostar não só num dia e numa manifestação mas sim numa semana inteira. Isto porque achamos ser importante chegar além da sensibilização, pois há todo um caminho a percorrer até conseguirmos efetivamente mudar comportamentos e contribuir para a resolução dos problemas existentes. Esta semana será dedicada não só à consciencialização dos problemas, mas também a atividades e palestras onde vários temas serão abordados como, por exemplo, as práticas que se podem adotar para diminuirmos a nossa pegada ecológica, os nossos hábitos de alimentação, consumismo. Teremos também iniciativas de carácter mais ativo como uma recolha de lixo e a plantação de árvores.

Para além desta iniciativa para mobilizar jovens colaboramos também numa iniciativa que teve lugar numa grande superfície da cidade no natal passado. Esta consistiu na criação de uma banca com voluntários a embrulhar presentes, com a particularidade destes serem embrulhados em papel de jornal, evitando assim um gasto desnecessário de papel, visto que todos os jornais usados iriam para o lixo de qualquer forma.  Temos também outras em mente como uma feira de trocas de roupa e outros bens, várias palestras, debates e também testemunhos. Mas sem dúvida que grande parte da mobilização é feita através das redes sociais.

Sentem o apoio da sociedade civil e da comunidade escolar?

O apoio da sociedade civil é bastante visível, pudemos contar logo desde início com diversas identidades quer particulares como professores das diferentes áreas, jornalistas e outros profissionais. A tipo individual podemos destacar a colaboração renomeado meteorologista José Costa Alves que desde o início partilhou muita informação sobre o tema. Contamos também com o apoio de várias instituições que nos apoiaram com algum material e também que se disponibilizaram a participar nas manifestações, como é o caso do grupo Váatão.

Sentem que as greves têm efeito prático?

Sentimos que as greves têm efeito prático. Queremos acreditar que sim, como é evidente.

O facto de ao longo das manifestações abordarmos certos problemas ajuda a consciencializar a comunidade para esses mesmos problemas, promovendo a adoção de certos comportamentos.

Que formas de financiamento utilizam para as organizações das greves?

No início todos os gastos que surgiam, maioritariamente em material para os cartazes eram divididos pelos membros da organização. Neste momento, temos alguma margem de manobra graças à ação desenvolvida no natal, visto que apesar de ser uma iniciativa sem qualquer tipo de fins lucrativos, muitas pessoas insistiam em deixar uma contribuição pelo trabalho prestado.

No distrito de Castelo Branco o que pode ser feito pelo ambiente e pelo clima?

A verdade é que a plantação de eucaliptos e outros tipos de espécies invasoras é uma das grandes causas dos incêndios florestais que todos os anos afetam severamente o nosso distrito. A implementação de limites à plantação destas espécies é de extrema importância já que os incêndios florestais contribuem grandemente para o aumento da quantidade de emissões de dióxido de carbono para a atmosfera. Para além disso, a fiscalização da poluição da Albufeira de Santa Águeda e do rio Tejo assume um papel fundamental dada a importância que estes cursos hidrográficos têm na região.

Greve Climática Estudantil de Castelo Branco:

https://www.facebook.com/greveclimaticaestudantilcb/

https://www.instagram.com/greveclimatica_castelobranco/

(Por DG)

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