Centenas de árvores, sobretudo carvalhos, já foram abatidas, independentemente da idade e da sua função no ecossistema da Mata do Fontelo. Os cortes estão a ser efetuados num terreno ainda privado que o município nunca quis incluir na gestão municipal.

“No ano da ‘Cidade-Jardim’, o pulmão do centro da cidade está a ser abatido!”, denuncia o Bloco de Esquerda de Viseu, acrescentando que, além de o município nunca ter protegido aquele espaço, muito pelo contrário, existem planos que preveem a sua urbanização.

Em comunicado, a Comissão Coordenadora Concelhia de Viseu do Bloco “defende a inclusão da referida quinta na gestão de toda a mata do Fontelo, de forma a preservar a dinâmica biológica do espaço e a garantir a preservação de espécies que ali deviam ter um santuário defendido da expansão do betão.”

O ecossistema em questão, “que não tem fronteira entre o que já é público e o que ainda é privado”, inclui espécies animais como os ouriços-cacheiros, os esquilos, o pica-pau malhado ou a “vaca-loura”.

A “vaca-loura” trata-se do maior escaravelho da Europa, estando classificado como espécie “quase ameaçada” pela UICN – União Internacional para a Conservação da Natureza. “Este animal depende precisamente das árvores de folha caduca, principalmente das mais antigas, como os carvalhos abatidos. O período de ‘incubação’ das suas larvas pode durar até 7 anos, incompatível com o abate a que assistimos neste momento.”

Relativamente à flora, só na parte da mata que é de gestão pública, foram identificadas 37 espécies, 13 das quais autóctones, como o Carvalho (Quercus robur) com 1850 exemplares, o Loureiro (Laurus Nobilis) com 1614 exemplares e o medronheiro (Arbutus Unedo) com 1315 exemplares.

Em cada 10 mil metros quadrados da Mata do Fontelo, existem 441 árvores ou arbustos. “A área que agora está a ser devastada era, segundo observação de imagens de satélite, mais densa que a pública, sendo um verdadeiro local de preservação biológica da nossa cidade”, explica o Bloco.

“Uma cidade Verde, uma cidade Jardim, uma cidade da Natureza é pró-ativa na preservação Ambiental!”

O Bloco de Esquerda de Viseu “exige a imediata intervenção municipal para parar esta destruição, usando de todos os meios administrativos e legais ao seu dispor para o fazer”, defendendo que “mais que intervir em reação, é preciso ser pró-ativo na procura de mecanismos de preservação deste espaço verde […] que não é apenas um jardim, é uma mata com vida própria.”

“É preciso classificar o Fontelo, não só no património construído, mas também no património natural, transformando-o numa zona protegida. Para que este não fique à disposição das vontades diversas de quem passa pela autarquia”, destaca o comunicado.

Neste seguimento, voltam a propor que todo o espaço da Mata que é propriedade privada “seja urgentemente incluído na gestão pública, aumentando desta forma a capacidade de preservação – a capacidade de todas nós, pessoas deste concelho, exigirmos a sua conservação.”

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