Mobilidade no Douro passa por “garantir condições de dignidade de vida”

Iniciativa “O Douro é mais do que um rio” juntou cinco candidaturas do Bloco de Esquerda dos distritos de Bragança, Guarda, Porto, Vila Real e Viseu, numa viagem de comboio de Campanhã (Porto) ao Tua (Bragança), para debater coesão territorial, mobilidade e questões ambientais e climáticas.
Estação ferroviária do Tua (Foto Interior do Avesso)
Estação ferroviária do Tua (Foto Interior do Avesso)

No passado domingo, 18 de fevereiro, a candidatura do Porto, encabeçada por Marisa Matias, iniciou uma viagem de comboio na estação de Campanhã rumo à estação ferroviária do Tua. Na estação do Peso da Régua aguardavam a chegada do comboio as candidaturas de Bragança, da Guarda, de Vila Real e de Viseu, juntando-se à lista do Porto.

As mais de seis dezenas de pessoas que enchiam as carruagens da CP desembarcaram no Tua e reuniram-se num parque junto à estação para um convívio sobre coesão territorial e mobilidade e para um piquenique partilhado, com vista para a belíssima paisagem do Douro.

Entre os participantes estavam presentes Marisa Matias (Eurodeputada do Bloco de Esquerda), Vasco Valente (cabeça de lista de Vila Real), Beatriz Realinho (cabeça de lista da Guarda), Vítor Pimentel (cabeça de lista de Bragança) e Miguel Lopes (cabeça de lista de Viseu), assim como outras candidatas como Isabel Pires, Maria Manuel Rola, José Soeiro ou Pedro Faria.

Sobre a Linha do Douro, Marisa Matias insiste que é preciso investimento e que ainda há dois troços por electrificar. “É uma linha que serve para ver as lindíssimas paisagens, mas que serve também para as deslocações e para a mobilidade das pessoas diariamente e que não tem condições reais para o poder fazê-lo.”

A Eurodeputada do Bloco afirma que esta iniciativa foi importante por envolver cinco formas de ver um problema “que tem especificidades”, mas é um problema que é comum aos cinco distritos. 

A mobilidade no Douro “é fundamental” e passa por um “projeto político nacional profundo e muito mais estrutural no que diz respeito não só às questões da mobilidade, mas também às questões de desenvolvimento sustentável de combate às alterações climáticas, de ter uma política agrícola decente e sobretudo garantir condições de dignidade de vida em regiões do país, que muitas vezes estão despovoadas, porque faltam os serviços públicos e porque falta essa mesma mobilidade.”, conclui Marisa Matias.

Para Vítor Pimenta, número um de Bragança pelo Bloco de Esquerda, refere que as populações daquela região “não têm tido nenhuma alternativa àquilo que perderam. É uma luta justa, é uma luta que está nas nossas discussões, porque não vale a pena termos mais saúde pública, mas educação pública, se as pessoas não podem aceder a estes serviços.”

Vasco Valente, candidato por Vila Real, lembrou que a Linha do Corgo, que ligava a Régua a Chaves, fechou em 2009, e em 2011 acabaram as SCUT’s e puseram portagens. “Ou seja, as pessoas deixaram de ter o comboio para utilizar. Tinham autoestrada e a mesma passou a ter portagens. Isto é absolutamente macabro.”

Quanto aos compromissos e exigências do Bloco, Beatriz Realinho, candidata pelo distrito da Guarda, lembrou que “para combatermos o despovoamento dos territórios do interior, é preciso levar a coesão territorial a sério. Não é preciso só colocar a coesão territorial na agenda e depois não a concretizar. É preciso que estas medidas saiam efetivamente do papel e é com isso que o Bloco de Esquerda se compromete.”

O candidato de Viseu, José Miguel Lopes, chamou à atenção para o problema da poluição do rio Douro: “Poluição nas descargas que são feitas pelos barcos turísticos sem qualquer tipo de solução apresentada para isso, apenas está lá o Bloco de Esquerda a exigi-las. Poluição pela agricultura intensiva que vem de Espanha. E falando do Estado Espanhol, é preciso rever a convenção de Albufeira, para que os caudais sejam justos e não sejam água que é enviada de Castilha e Leão para a Andaluzia.”

Pelo Porto falou a número três da lista do Bloco, a deputada Isabel Pires, que lembrou os constantes atrasos na requalificação integral da Linha do Douro, que inicialmente no Ferrovia 2020 previa que as obras estivessem concluídas precisamente em 2020. 

“Estamos em 2024 e em janeiro soubemos que apenas em 2027 vão ser conhecidos, não as obras, mas sim os estudos de impacto dos dois troços que ainda faltam electrificar. Portanto, aquilo que se está a dizer novamente a esta região é que vão ter que continuar à espera para terem um serviço digno de mobilidade, nomeadamente de ferrovia. Do nosso ponto de vista é absolutamente inaceitável. Temos feito uma pressão muito grande nesta matéria. Porque não se pode continuar a usar o argumento de que ‘pelo menos há obra feita por isso é que há atraso’. Isso é um argumento que eu considero ser um insulto para as populações que tiveram expectativas criadas pelo Governo e essas expectativas têm sido sucessivamente colocadas em causa. É um insulto sim às populações e às regiões que mais precisam de ferrovia, nomeadamente a região do norte.”, conclui Isabel Pires.

Marisa Matias referiu ainda que nas três semanas de campanha que se seguem até às eleições, é preciso mobilizar voto e “vontades coletivas para transformar este país para melhor e para propor medidas concretas em todas estas áreas que acabamos de referir de forma tão evidente por todos os candidatos e candidatas que aqui estiveram. E por isso, mobilidade, mais uma vez, desenvolvimento sustentável, combate às alterações climáticas, mas também salário e qualidade de vida e serviços públicos, são parte estruturante da campanha que temos pela frente. Três semanas cheias de energia, com muita força e muita luta e onde cabem estas iniciativas que são sempre bem vindas, que é podermos ter cinco distritais em torno de questões que são tão essenciais para fazer o que nunca foi feito.”

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