Foto de João M. Vicente | Facebook Santa Comba Dão Imagens

Em reacção ao pedido de esclarecimento por parte do Bloco de Esquerda de Viseu sobre a possibilidade de instalação das estátuas de Salazar na posse da Câmara Municipal de Santa Comba Dão, por cedência da Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), o município declarou que nunca foi equacionada essa hipótese.

Em declarações à Lusa, Leonel Gouveia, presidente da Câmara Municipal de Santa Comba Dão, confirma a existência de duas estátuas de Salazar na posse do município. Leonel Gouveia foi contactado em 2017 pela DGPC, porque “tinha duas estátuas no Mercado Abastecedor de Lisboa, que tinham sido retiradas há alguns anos do Palácio Foz, e agora precisavam de libertar o espaço e (perguntava) se a autarquia as queria receber a título de cedência, não doação”. As peças, ambas da autoria do escultor Francisco Franco de Sousa, são uma estátua de bronze com 2,3 metros e um busto em pedra de 500 quilos.

No protocolo entre a DGPC e o município de Santa Comba Dão, a que o jornal Público teve acesso, a autarquia comprometia-se à “criação de condições adequadas à sua conservação e exposição nas instalações da CMSCD”, o que suscitou uma reação por parte da distrital de Viseu do Bloco por considerar que “quando o assunto é Salazar ou o Estado Novo o que está verdadeiramente em causa não é o interesse histórico, mas uma legitimação e normalização da história do fascismo, da ditadura e do seu ditador.”

A Câmara Municipal de Santa Comba Dão assume agora nas declarações prestadas à Lusa que “não temos e nem nunca foi pensada a sua localização e a sua instalação, se é que alguma vez ela venha a acontecer. Não é verdade que alguma vez tivesse tido alguma localização, nem nunca esteve este assunto em cima da mesa”, ao contrário do que foi noticiado. Fica ainda por esclarecer quais os moldes do protocolo assinado entre a Câmara Municipal e a DGPC.

Esta polémica acontece no seguimento da criação do centro interpretativo do Estado Novo na Escola Cantina Salazar, no Vimieiro. Porém, o autarca aproveita agora esta ocasião para garantir que “o centro interpretativo do Estado Novo não terá nenhum objeto pessoal, nem nenhum busto”, ao contrário do que disse em reunião com a Comissão Coordenadora Distrital de Viseu do Bloco de Esquerda em setembro de 2018 onde afirmou que iriam ser expostos objetos de uso pessoal do ditador.

(Escrito por MFS)

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