O núcleo nacional dos CTT do Bloco de Esquerda, analisando a conturbada situação da empresa, toma posição pública sobre ela, sobre a greve geral no Grupo CTT (a 29 de maio) e as negociações da concessão e do caderno de encargos a apresentar pelo governo do Partido Socialista (PS) à empresa.

Em comunicado à população, o núcleo faz uma descrição do funcionamento caótico dos CTT, que não é de agora, mas que se  agravou ainda mais com a pandemia. Neste momento os padrões de entrega não são cumprindos, havendo o acumular de correio em todos os centros de distribuição postal (CDP’s), até mesmo correio azul e verde fica por entregar. O correio expresso cresceu e alcançou os valores de natal, “em muito locais de trabalho o saldo do correio ultrapassa os 130%, a gestão tenta obrigar os trabalhadores a executarem as suas tarefas para além do seu horário de trabalho (durante as pausas de almoço e depois da hora de saída) sem pagamento do respetivo trabalho suplementar.”

Os abusos relatados não ficam por aqui, vão desde “forçar os trabalhadores a marcar férias vencidas em Janeiro de 2020”, até más condições de espaços e ferramentas de trabalho, entre outros problemas sem fim à vista, pois “chamada a intervir, a inspeção de trabalho (ACT) tarda em atuar nos CTT face a um sem número de ilegalidades praticadas.” Estas situações vão-se arrastando, “prejudicando as pessoas e pondo em causa a dignidade profissional dos trabalhadores dos CTT”.

Os trabalhadores não aceitam a proposta de atribuição de um cartão de refeição como forma de pagamento do subsídio de alimentação, o que motivou a convocatória da greve de 29 de maio.

Segundo a posição do núcleo dos CTT do Bloco, apesar do aumento de receitas de 1.700.000,00€ no 1.º trimestre do ano (comparativamente com o mesmo período de 2019), a empresa pretendia impor unilateralmente o cartão de refeição, com todos os prejuízos que este implica para os trabalhadores. Na prática, esta alteração significa uma diminuição da retribuição, além de “no futuro, seja numa baixa, acidente de trabalho ou na aposentação/reforma vêem o cálculo dessas retribuições a ser diminuídas aumentado o seu prejuízo ao longo dos anos, para além de significar uma enorme descapitalização da segurança social.” Então a quem serve esta alteração? O grupo CTT pretende com o cartão de refeição, à custa dos trabalhadores, ganhar mais 1.900.000,00€ por ano.

Em 2020 serão feitas as renegociações da concessão e do caderno de encargos a apresentar pelo governo à empresa CTT. 

Na análise do núcleo, “ao longo dos anos assistimos à delapidação de património e pessoal que pôs em causa o serviço às populações, fechou-se estações, abandonou-se as populações do interior” priorizando as contas e a repartição dos custos, os CTT sobrevalorizam “os gastos com o serviço postal (com o pessoal e instalações, custos de capital, rendas, etc.) e subvaloriza as despesas com o banco.” O comunicado lança a questão: vai o governo do PS continuar a permitir esta gestão desastrosa? Para o núcleo, “defender os CTT – públicos é não atribuir de novo a concessão a privados”, para assim defender melhores condições de trabalho, o cumprimento de padrões de qualidade e um melhor serviço postal para as populações.

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