Foto de José Afonso Furtado | Flickr

Reunidos em Castelo Branco, autarcas de sete municípios portugueses e espanhóis acusam a gestão de caudais do rio Tejo de “profunda insensibilidade para com este território”.

Autarcas dos municípios de Castelo Branco, Vila Velha de Ródão, Idanha-a-Nova, Cedillo, Carbajo, Herrera de Alcántara e Alcántara criticaram na gesta-feira a gestão dos caudais do rio Tejo, que está a causar “elevados prejuízos ambientais, turísticos e económicos” em toda a região. Em comunicado citado pela agência Lusa, demonstram “a sua apreensão e grande preocupação pela redução drástica do caudal” em toda extensão do Tejo Internacional”.

Os autarcas “exigem que a situação que agora ocorreu não volte a verificar-se no futuro” e apelam “às entidades responsáveis de Portugal e Espanha” que garantam uma boa gestão dos caudais e a melhoria da qualidade da água.

Um representante da Agência Portuguesa do Ambiente esteve presente neste encontro de autarcas para prestar esclarecimentos e terá informado que a atual situação “resultou de descargas extraordinárias verificadas da barragem de Cedillo, com o objetivo de Espanha cumprir o regime de caudais estabelecido na Convenção de Albufeira para a bacia hidrográfica do Tejo”.

Nas últimas semanas, os níveis das águas dos rios Tejo e Ponsul sofreram uma diminuição acentuada, tornando inoperacionais os cais de Lentiscais, no rio Ponsul, e de Malpica do Tejo. A seca resultante da diminuição dos cauais levou o presidente da Câmara de Castelo Branco a defender a revisão da Convenção de Albufeira para a bacia hidrográfica do Tejo.

“Este troço tem uma barragem gerida por Espanha a jusante e outra a montante. A gestão desse caudal, neste troço do Tejo, compete e é da responsabilidade de Espanha. O que fizemos foi sensibilizar as autoridades portuguesas, o Governo e as instituições, nomeadamente a Agência Portuguesa do Ambiente (APA). Agora, esperemos as medidas da parte das instituições portuguesas junto das instituições espanholas. Nós não temos meios nem competências para intervir nesta matéria”, afirmou Luís Correia esta semana à Lusa.

“Sabemos que há operadores turísticos que atuavam naquela zona que deixaram de atuar. Há também os prejuízos ambientais que são impossíveis de quantificar e também em relação aos prejuízos mais diretos, aos cais existentes no Tejo e no Ponsul que estão danificados e que vamos ter que reparar. Há um conjunto muito grande de prejuízos que não são muito fáceis de quantificar”, concluiu o autarca.

Artigo publicado em Esquerda.net

Deixe o seu comentário

Skip to content