Catarina Martins irá estar este sábado em Tondela, em zonas ardidas nos incêndios de outubro de 2017. O Bloco de Esquerda já questionou o Governo sobre a recuperação económica e ecológica destas zonas.

Para o Bloco, há ainda muito trabalho para fazer nas zonas ardidas há três anos, “no sentido de recuperar a floresta, mas também as atividades económicas locais.Passados três anos, é fácil constatar que as medidas tomadas foram claramente insuficientes e hoje todo este território e as suas populações encontram-se em dificuldades inéditas.”

As perguntas dirigidas ao Ministério do Ambiente e Ação Climática vão no sentido de perceber que medidas suplementares está o Governo disposto a tomar “direcionadas aos territórios mais afetados pelos incêndios na resposta à crise económica” e se está “disponível para promover a gestão coletiva da floresta entre pequenos proprietários e apoiar a reflorestação das áreas ardidas com espécies autóctones e resilientes ao fogo”.

Muitas pessoas perderam os seus bens e atividades económicas com os incêndios e hoje “acumulam-se as dificuldades resultantes da crise pandémica e económica, que necessitam de uma resposta musculada. As populações e as economias locais não têm meios suficientes para recuperar os territórios ardidos e, simultaneamente, superar a crise económica.”

Nesse sentido o Bloco afirma que caso o Governo não adote medidas urgentes, a crise económica aumentará, assim como a negligência e abandono das áreas florestais, “que já são avassaladores neste momento.”

A maioria das áreas florestais ardidas, como na zona de Tondela no distrito de Viseu, não sofreu qualquer tipo de intervenção e “a espécie dominante, o eucalipto, já atingiu em muitos locais 3 e 4 metros de altura, depois de rebentarem desordenadamente. A paisagem voltou a ser ocupada com uma monocultura, agora mais densa devido à insuficiência ou ausência dos trabalhos de gestão florestal, prevendo-se assim o aumento dos riscos de incêndio futuros.” Também as acácias, outra espécie invasora, está a ganhar terreno descontroladamente.

Agrava ainda a situação, o contexto em que se insere. Regiões abandonadas durante anos pelas políticas públicas que promoveram o encerramento de serviços públicos, como na saúde e educação, que desinvestiram nos transportes públicos e portajaram as SCUT. Sem qualquer medida estrutural de apoio ao Interior, a tendência tem sido a saída das “pessoas do seu território e hoje temos falta de gente, em especial falta de jovens, o que teve consequências drásticas no abandono e na má gestão florestal.”

Segundo o Bloco, “no contexto socioeconómico e climático atual e futuro, só o investimento público pode iniciar este caminho eficientemente. No sector florestal, é preciso apoiar os pequenos e médios produtores florestais a fazer a transição ecológica, a valorizar e a diversificar os seus produtos e serviços.”

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