Foto de renna c | Flickr

O projeto-piloto financiado pelo Fundo Ambiental tem como objetivo substituir eucaliptos por floresta autóctone e resistente aos incêndios. Grupo Amorim recebe 438 mil euros dos 1,46 milhões disponíveis.

De acordo com o Público, um terço dos apoios financiados pelo Fundo Ambiental e destinados à substituição do eucalipto por florestas resistentes e autóctones vai para o Grupo Amorim. 438 mil euros dos 1,46 milhões disponíveis vão para a Cosabe – Companhia Silvo-Agrícola da Beira, detida por este grupo. Isto é o resultado das duas candidaturas que a corticeira viu aprovadas. 

Os projetos-pilotos serão implementados no Parque Natural do Tejo, onde se encontra a Herdade da Baliza do Grupo Amorim, e na Serra do Açor, em Arganil. No total, foram aprovadas 14 candidaturas das 15 apresentadas. O programa foi anunciado em 2018 e lançado um ano depois para apoiar a promoção da floresta autóctone, biodiversa e resilientes aos incêndios.

Segundo o Ministério do Ambiente e da Ação Climática, a soma dos 14 projetos aprovados tem uma dimensão de 715 hectares onde o eucalipto ocupa 545 e será a espécie mais substituída. As intervenções ainda não deram início porque os contratos só foram assinados em março, mas o governo espera que comecem até ao final do ano. O programa tem duração de duas décadas e uma previsão de investimento de 3,4 milhões de euros. 

Ao Público, o Grupo Amorim afirma que vai converter o eucalipto em sobreiro nas duas áreas, na Herdade da Baliza, que serão abrangidas pelo programa do governo. No entanto, em 2018 quando o grupo comunicou à Comissão do Mercado de Valores Imobiliários a compra da Cosabe no valor de 5,5 milhões de euros informou que iria desenvolver um modo de “produção intensiva e com fertirrega” de sobreiros, ainda que agora referiu que as áreas em questão serão intervencionadas num “modelo de silvicultura tradicional”. 

Enquanto no Açor o governo manteve a porta do concurso fechada às empresas, no Tejo não tomou o mesmo procedimento e participaram empresas que o seu volume de negócios anual não tivesse ultrapassado os dez milhões de euros. A Cosabe não foi a única empresa a recorrer aos apoios do Fundo Ambiental já que a José Morais Paulo, Lda terá um apoio de 258,4 mil euros, a Desfoinvest – o braço imobiliário do grupo Desfo, dono da cadeia de lojas Homâ, antigos De Borla, com 240,6 mil euros, a Herdade do Monte Velho com 169,8 mil euros e a Vale da Sarvinda com 159, 9 mil euros, entre outras.

A Associação de Produtores Florestais do Concelho de Arganil (APFCA) foi a única organização de produtores a ter um projeto apoiado, no valor de 132,2 mil euros para 35 hectares e também foi a única candidatura aprovada na Serra do Açor. O presidente da associação, Rui Dinis, explicou a dificuldade em chegar aos 35 hectares porque “às vezes são terrenos de 20 metros quadrados”. O dirigente concorda com o programa, mas refere que acabou por ser “muito incipiente” porque “se se quiser fazer alguma coisa, isto (a área) tem que ser forçosamente alargado. Passa tudo por uma questão política e por uma disponibilidade de fundos”.

A APFCA também teve a candidatura que não foi aprovada entre as 15 concorrentes e segundo o presidente da associação era a mais ambiciosa já que “era uma candidatura abrangente e numa zona interessante, como uma mini Mata da Margaraça”, referiu.

Os projetos implementados no Tejo Internacional e na Serra do Açor terão um carácter experimental e serão avaliados, de acordo com o Ministério do Ambiente e da Ação Climática, sendo que o modo da avaliação ainda está a ser definido. Segundo o MAAC, a segunda fase de apoios será lançada o sul do Tejo, interior centro e norte raiano, já que são “territórios com elevada susceptibilidade à desertificação e de elevado valor ambiental e ecológico”.

Artigo publicado no Esquerda Net.

Deixe o seu comentário

Skip to content