Foto de Vitor Oliveira | Flickr

Dói ser, 

Sempre doeu ser, 

Tanto ou mais que existir 

Ou emitir vida num planeta inóspito como eu. 

Grito, 

Fujo, 

Escondo, 

Bato, 

Levo, 

GRITO. 

Não me digam mais nada, 

Não estupidifiquem a respiração que nos separa 

Com as vossas palavras. 

Choro e as águas límpidas do Dão 

Limpam me a cara do que os outros não me dão 

Queria abraçar te esta noite 

E que a meio da noite, 

Ainda antes de adormecer, 

Esvoaçasses 

Para não ver em ti um choro 

Que na realidade era meu. 

E que as águas, já não tão limpas, daquele rio 

Me levem as lágrimas que nunca existiram. 

E mesmo depois de teres esvoaçado, 

A noite não me abandona 

E com ela a minha eterna amante, 

A solidão inquieta 

Que faz remexer tudo 

Tudo o que não há em mim. 

E num choro mudo que já nem existe 

Ouço agora o dão 

Na sua lamentação 

Por deixar as minhas lágrimas em riste 

Perdidas no Mondego. 

Naquele sofrimento 

Vejo um rio triste e sujo 

Perdido num lamento 

Por erradas lágrimas receber 

E mesmo essas as perder. 

No som daquele rio, 

Sorrio em mim, 

Morrendo um pedaço dele na minha boca 

Fazendo me engolir as lágrimas 

Que não eram de nenhum dos dois.

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O renascer da arte a brotar do Interior e a florescer sem limites ou fronteiras. Contos, histórias, narrativa e muita poesia.

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Paulo Rodrigues, Santa Comba Dão, começou a escrever muito cedo.
Participou em várias coletâneas de poesia, prosa ou contos infantis organizadas por vária editoras como a "Orquídea Edições", "Lua de Marfim" e "Modocromia". Escreveu também por diversas vezes em edições "Sui Generis" e a prestigiada "Chiado Books".
Colaborou na organização da fanzine lançada em Santa Comba Dão, "Cabeça Falante", que inaugurou a editora recém-criada "Canhoto Esquerdino R", onde foi Assessor de Comunicação não remunerado.
É criador e administrador do blog "lagrimasdavida.blogspot.pt"

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