Sinto-me a erguer,
Na esperança de te ver…
O meu coração sobressaltado,
Pelo meu mundo à natureza enlaçado…

Tenho vagamente uma certeza
De que toda esta riqueza,
Um dia regressa inconsolável
Com toda a sua beleza amável…

Todo o seu poder titânico
Controlado por alguém sádico
Cambaleia na sua garganta
Neste grito que me encanta…

Gritas de forma surda
Aos meus olhos cegos,
Cegos à vida ingrata
Filmam toda a tua beleza
A tua existência me mata
Mas sou feliz por isso
Porque te consigo ver…

Desfaleço na tua constituição…
O oxigénio corrói a minha construção,
De células desesperadas,
Por se sentirem amarradas
Ao destino inevitável
Que traças desde que nasço…

Sinto todas as cores vibrantes
Nos meus olhos cessantes,
De toda esta dor
Por não ser nenhuma desta cor…

Sou uma cascata de sentimentos
Que caiem do teu céu esplêndido
Tenho o pensamento oprimido
Pelo cheiro que transmites,
À minha sensação de espontaneidade
Da minha timidez apedrejada
Por quem me quer oprimir…

Um pássaro voa…
Uma canção que entoa
Pela sua garganta insignificante
Mas torna-se sufocante
No respirar poluído
Provocado pelas minhas mãos…

As folhas das árvores descem
Como a minha vida cai,
Sem sentir gravidade na queda
Todas elas escurecem
Ao tocar o teu solo
Mas eu brilho por seres perfeita…

A tua paisagem serena,
Que a minha vida amena
Montes, vales no horizonte
Que são a minha fonte,
De felicidade e inspiração

Todas as plantas e animais
Olham para mim através de cristais
Que distorcem a minha memória
Com a sua imagem ilusória…

Pertenço a todos vocês
Neste viver como passageiro
No autocarro da vida
Estou de passagem, não sou nada
Não te preocupes, és mais forte do que eu
Nunca te irei destruir!

 

Publicado no livro “O Fluxo da Vida”

Outros artigos deste autor >

Nasci, cresci e vivo nos planaltos de Vila Maior, São Pedro do Sul, distrito de Viseu com vista privilegiada para diversas cordilheiras montanhosas. Comecei a escrever poesia em 2005 como forma de escapar à realidade pesada da minha timidez. A natureza, o primeiro fogo da paixão e a necessidade de exprimir injustiças sociais despertaram a minha mão esquerda a escrever como se a minha existência dependesse de tal ação. Enquanto adulto, comecei por trabalhar muito cedo, fui pai muito novo e de todo um tumulto social renasce uma paixão: pensar sobre o que me rodeia, mas em vez de definhar decidi filosofar e nunca mais parei até hoje. Nasceram dois livros de poesia, “Mente (des)Concertante” por parte da editora Poesia Fã Clube e “O Fluxo da Vida” editado na plataforma Amazon. Só mais tarde, licenciei-me em Engenharia Informática pelo Politécnico de Viseu em 2017. Atualmente entre programar computadores e linguagem humana para conseguir alcançar uma transformação social pela filosofia, sou pai, marido, filho e agricultor como forma de alimentar corpo e alma. Estou pela primeira vez a romper a minha timidez e a expor-me nos meios de comunicação social e em comunidades literárias.

Outros artigos deste autor >

O renascer da arte a brotar do Interior e a florescer sem limites ou fronteiras. Contos, histórias, narrativa e muita poesia.

Deixe o seu comentário

Skip to content