Ode ao trabalhador

Trabalhador

Pequeno o meu olhar matinal

Crescente luz, aurora boreal,

Sou eu pequeno, adultos observo

Caminham, o meu pai servo

O seu dever vai cumprir

Um dia serei eu a servir

 

Cresço, a minha mãe serve

As flores murcham, aldeia abandonei

O barulho, a náusea, a cidade abracei

Moldado sou num sistema escolar

Se a criança imagina e sabe brincar

Terá o adulto direito a sonhar e realizar?

 

Sou trabalhador, o meu olhar tardio

O sol a pôr-se, tal como meu corpo

Chagas, dolorido, mas assobio

Canto, tenho asas no coração

Alma liberta, corpo em suspensão

Por fim descanso, dever cumprido

 

Meus pais do sol a regressar

O sol a pôr-se, eles sombra, eu luz

Serei eu quem os ilumina?

 

O Humano e o seu dever

Prisão, ilusão, temer

Caminha para o sonho, voa!

Adulto enjaulado, dominado!

Todos nós sentimos o sol nascente

A escolha é quem nos prende

 

Um destino inevitável é ignorado

Fugidios, dormentes, mas divino

Horizonte dourado o meu menino

Eu desvanecerei, ele ficará

 

E quem fica herda o meu dever

Ou o sonho deveria iniciar.

O imenso véu a adormecer

O grandioso astro a despertar

E eu a definhar e a estremecer,

Mais um dia de dever…

 

Hierarquias, imposições capitais

Cidades, renda, máquinas infernais

Horários, roleta russa, cobrança

Meu âmago grita criança,

O Mundo anseia meu esforço…

 

Criança feliz contagia

O real esforço é a Terra

O dever está na família

Amor o desespero encerra

 

Oh Trabalhador! olha o Sol que nasce

Artista, respira e abraça o teu menino!

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Nasci, cresci e vivo nos planaltos de Vila Maior, São Pedro do Sul, distrito de Viseu com vista privilegiada para diversas cordilheiras montanhosas. Comecei a escrever poesia em 2005 como forma de escapar à realidade pesada da minha timidez. A natureza, o primeiro fogo da paixão e a necessidade de exprimir injustiças sociais despertaram a minha mão esquerda a escrever como se a minha existência dependesse de tal ação. Enquanto adulto, comecei por trabalhar muito cedo, fui pai muito novo e de todo um tumulto social renasce uma paixão: pensar sobre o que me rodeia, mas em vez de definhar decidi filosofar e nunca mais parei até hoje. Nasceram dois livros de poesia, “Mente (des)Concertante” por parte da editora Poesia Fã Clube e “O Fluxo da Vida” editado na plataforma Amazon. Só mais tarde, licenciei-me em Engenharia Informática pelo Politécnico de Viseu em 2017. Atualmente entre programar computadores e linguagem humana para conseguir alcançar uma transformação social pela filosofia, sou pai, marido, filho e agricultor como forma de alimentar corpo e alma. Estou pela primeira vez a romper a minha timidez e a expor-me nos meios de comunicação social e em comunidades literárias.

O renascer da arte a brotar do Interior e a florescer sem limites ou fronteiras. Contos, histórias, narrativa e muita poesia.

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