Podia começar pela evidência que o interior está despovoado. Para além de já toda a gente ter percebido isso, já o disse em vários textos. No entanto, no momento em que escrevo estas linhas, é precisamente a única altura do ano em que a primeira frase tende a não ser verdadeira.

Nos concelhos do interior do país, essencialmente nos mais pequenos (muito provavelmente pela maior ligação sentimental), os imigrantes continuam religiosamente ano após ano a regressar para visitar familiares e para matar saudades das paisagens únicas deste território. A população dobra ou triplica em algumas localidades, e faz com que o interior fique com o número de pessoas anterior ao despovoamento na sua forma mais dramática.

Em agosto, temos festas e festinhas em praticamente todas as aldeias, o que dá necessariamente vida às localidades. Vemos muita gente nas ruas, nos mercados, nos cafés e nos restaurantes. Os pequenos comerciantes têm este mês para se desafogar. Os mais velhos, matam saudades de filhos e netos que em muitos dos casos veem apenas uma vez por ano.

Tudo parece estar bem num momento em que o interior fica, por umas semanas, povoado. Quando nos queixamos de um interior cada vez mais despovoado e ao abandono, estaremos nós a desejar que seja agosto durante todo ano?

Outros artigos deste autor >

Jóni Ledo, Deputado na Assembleia Municipal de Vila Flor, Ativista no Catarse | Movimento Social e Psicólogo.

Deixe o seu comentário

Skip to content