Este último mês de verão, foi bastante pródigo em motivações diversas para escrever textos também diversos. Contudo, o anúncio do governo sobre a intenção de caminhar (finalmente…) no sentido de rejuvenescer a função pública, acabou por se sobrepor a todos as outras.

Parece-me que, em matéria de gestão de recursos humanos, ninguém contesta a imperiosa necessidade de (seja qual for a área, sector ou serviço…) todos os diversos grupos de trabalho terem uma componente fortemente intergeracional. As vantagens são sobejamente conhecidas (até porque diversos estudiosos destas questões as divulgam amplamente) e vão das melhorias produtivas resultantes da conjugação da experiencia dos mais velhos com uma maior formação ou mais actualizada formação académica dos mais novos, ao incremento do espirito do trabalho em equipa, ao desenvolvimento de melhores ambientes de trabalho e muitas outras.

No sector privado essa é uma preocupação constante, pelo menos nas empresas com conceitos de gestão mais modernos.

Porém, estranhamente para mim e (penso eu!) para muitos outros, desde o final do seculo passado que vamos percebendo estar a ser traçado pelos sucessivos governos um caminho do envelhecimento continuo da força produtiva na função pública, incluindo algumas áreas essenciais do serviço público, como a educação, a saúde ou até o “fisco”.

Acresce que, no interior abandonado pelo já caduco centralismo lisboeta, o problema é ainda mais preocupante!… e todos conhecemos organismos ou repartições públicas onde ainda não ser sexagenário é raro e ter menos de 50 anos quase uma miragem…

No BE, desde há muito se defende que 40 anos de trabalho efectivo tem de ser considerado e valorizado, no sentido de ser entendido como um marco que pode determinar a opção por uma aposentação digna e sem cortes abusivos nos valores da mesma, abrindo ao mesmo tempo uma verdadeira (e tão necessária) porta de entrada para os mais jovens.

Manda a prudência… e o bom-senso… que aguardemos a concretização das medidas anunciadas pelo governo, esperando que da montanha não saia apenas o ratinho do costume…

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José Carlos Costa de Vasconcelos de 61 anos, licenciado em Direito é funcionário público e reside no concelho de Cinfães do qual é natural. É sócio/fundador da Associação de Cultura e Desporto de Cinfães e vice-provedor da Santa Casa da Misericórdia de Cinfães. Aderiu ao Bloco de Esquerda em 2004, sem qualquer filiação partidária anterior mas com participação politica activa entre 1974 e 1979 e nas Eleições Presidenciais de 1986.

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