Até ver, aprendi três coisas com esta crise que tende em permanecer brusca: 1. A economia entra em colapso mal deixa de vender coisas inúteis a pessoas super endividadas; 2. É possível reduzir a poluição e acabar com o mau ambiente; 3. As pessoas mais mal pagas em Portugal são as que desenvolvem as tarefas essenciais para a sociedade. Visto o mercado único europeu não ter futuro, sendo a Europa uma área de livre comércio em que todos os tipos de produtos oriundos de economias mais fortes destroem a nossa economia, é urgente repensar todos os factos que jogam contra nós. É desumano permitir que as famílias continuem a endividar-se para viver em condições mínimas; consentir que o nosso dinheiro seja transferido para os Países mais ricos. É estúpido autorizar que tudo o que recebemos, pela produção, consumo e exportação de produtos nacionais, seja devolvido para pagar o custo da moeda euro e todo o valor da dívida soberana (o stock da dívida pública portuguesa continua a aumentar e a ser um dos grandes problemas da economia nacional). Por estas razões, fico baralhado, quando, vezes sem conta, dou de frente com pessoas que defendem o neoliberalismo e os paraísos fiscais; o sistema que permite o refúgio jurídico que concede posições privilegiadas a Países europeus para não respeitarem a concorrência, os acordos entre os vários Estados-Membros e a perda de receita fiscal. A convergência Europeia entre os Países mais pobres e os Países mais ricos! É por tudo isto que, quando vi o primeiro-ministro holandês, líder dos Países frugais (Holanda, Áustria, Suécia e Dinamarca), ordenar a limitação da ajuda financeira para combater a crise, a exigir reformas e controlo sobre os países do sul, só me apeteceu esquecer. Lembrar que este pobre País nunca precisou de dinheiro para esquemas que engordaram Soares, Guterres, Cavaco e Barroso. Lopes, Sócrates, Portas e Coelho. Lembrar que Portugal sempre precisou de dinheiro para se modernizar; para combater a crise climática e ecológica que tem devastado as nossas florestas, a nossa sustentabilidade e natureza. Em Viseu, Guarda, Porto e Lisboa, os políticos têm de falar com os empresários, agricultores e comerciantes e reinvestir na pequena indústria, na agricultura familiar e no comércio tradicional; nas cidades. Todos terão de falar – honestamente – com os cientistas, com as pessoas de bem, para – uma vez por todas – trocar o pinhal e o grande eucaliptal pela floresta. O fogo pela água. O litoral pelo interior! Ao que parece, com o avançar desta crise, as pessoas começaram a mudar comportamentos e a ouvir as autoridades. Espera-se que, com tal confinamento, os Portugueses percebam, também, que muita coisa está mal; que é imoral pagar mais de €200.000 por mês a Mexia e menos de €1.000 por mês ao médico, ao enfermeiro, ao empresário, ao professor e ao polícia de segurança pública. Os portugueses têm de começar a usar o seu poder junto dos políticos e das instituições para gerar mudança; para acabar com as desigualdades, autoritarismos e ataques à democracia, pois em Viseu, Guarda, Porto e Lisboa, em todo o território nacional, as pessoas mais mal pagas são as que desenvolvem as tarefas essenciais para a sociedade.

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Nasceu e cresceu em Viseu, no seio de uma família com fortes raízes na cidade. Vive em Lisboa desde 2007 e desenvolve o seu trabalho, como consultor financeiro, no projeto Anytime Consulting. É dirigente associativo desde muito novo, estando ligado à política, ao desporto e à economia. Na luta do dia a dia tem avançado superando os fracassos, tendo em conta que o carácter de cada homem é mediador da sua “sorte”.

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