Foto por Gracinda Nogueira | Facebook

Quando, no passado mês de agosto, visitei o Museu de História da Cidade de Viseu, localizado num edifício onde residiram – diz-se – alguns filhos de Israel e onde, posteriormente, se venderam lápis, canetas e máquinas de calcular (papelaria Dias), senti frio e muita falta de informação sobre os dois mil e quinhentos anos da nossa cidade: fiquei com a ideia que aquela exposição não tem a dimensão da história da cidade! Porém, percebi que o orçamento da autarquia, para aquele espaço, prevê uma enorme fatia para o ar condicionado (o vilão da história) e outra, certamente mais somítica, para a pesquisa científica e para o investimento em evidências preservadas ou reconstituídas. Posso estar enganado, mas fiquei com a noção de não ter lido uma referência, sequer, aos historiadores da cidade… Bem! Para além do ar frio de rachar, senti que a exposição é feita de vinil e de informação tépida relativamente à história, aos tantos anos da cidade «de filiação medieval e cimentada ao longo do atribulado processo de reconquistas». Apesar de não ser um especialista em história, fiquei com a perceção que, tal exposição, sobre Viseu, município que é circundado pelos rios Vouga, Dão e Paiva, a que afluem, de uma forma triste, os rios Pavia e de Mel, refere, de uma forma mediocris, a presença dos celtas, iberos, celtiberos, suevos, lusitanos, romanos, árabes e judeus e outros. Não obstante, para espanto meu, no final da exposição deparei-me com uma cena bué futurista, a que chamaram Vissaium 2038. Na placa informativa, de acrílico, lá colocada, lê-se que «Viseu é uma cidade feita de tempo. De passado, presente e do seu devir. De recordações e desejos. De quem chega e de quem parte. De memórias e sonhos… De fixações e imaginários». Acrescento: de fixações e imaginários de nobilis nomes da cidade que, a seu tempo, elevarão, ainda mais, muito mais, a cidade onde, presumo, o arrependido e amargurado António de Albuquerque do Amaral Cardoso (1866/1923) escreveu o livro “O Marquês da Bacalhoa”. Falo de nomes ligados, de uma forma ou de outra (intrigas palacianas), com as devidas exceções, ao Partido Social Democrata (PSD Viseu)… A exposição, que projeta uma cidade pequena, que poderia ser grande como a sua história, mostra que os políticos eleitos pelos viseenses fazem questão (sempre o fizeram) de anular a monumentalidade visiense; de representar um povo que se quer permeável a clubismos e a amiguismos, onde a corrupção generalizada garante que os valores (ameaçados) da sociedade democrática sejam entregues aos mesmos de sempre! Para a história fica um facto: ninguém bate o PSD Viseu em questões da prática do favoritismo de familiares ou amigos na atribuição de cargos ou privilégios por parte dos detentores de cargos públicos. Mas isto sou eu a escrever pois, tal como Antoine de Saint-Exupéry disse «só se vê bem com o coração, pois o essencial é invisível para os olhos». A tal bursa será aberta com pompa e circunstância, espera-se, pelo septuagenário Almeida Henriques, ou por outro qualquer social democrata de sucesso, a 18 de Maio de 2038. A ver vamos…

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Nasceu e cresceu em Viseu, no seio de uma família com fortes raízes na cidade. Vive em Lisboa desde 2007 e desenvolve o seu trabalho, como consultor financeiro, no projeto Anytime Consulting. É dirigente associativo desde muito novo, estando ligado à política, ao desporto e à economia. Na luta do dia a dia tem avançado superando os fracassos, tendo em conta que o carácter de cada homem é mediador da sua “sorte”.

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