Há já mais de dois anos, denunciei o pedido de extracção mineira a céu aberto para a Serra da Argemela, propagandeado sob o signo do lítio, recurso designado por alguns como “petróleo branco”.

A Argemela foi, como eu temia, apenas a ponta do icebergue:

dos 22 pedidos de prospecção e pesquisa que a Portugal Fortescue, Unipessoal Lda lançou para o interior do país e que foram amplamente divulgados na comunicação social, 18 deles já são públicos e foram publicados em Diário da República em datas que culminam no dia 10 de Abril – pelo que eventuais interessados devem reclamar no prazo de 30 dias a contar das datas de publicação em DR.
A Portugal Fortescue, Unipessoal Lda. é uma subsidiária da Fortescue Metals Group Ltd., um gigante australiano da extracção mundial de ferro, sendo a sucursal portuguesa uma empresa com capital social de 1,00€ e cujo responsável é o ex-ministro José Aguiar Branco. Querem explorar ouro, prata, chumbo, zinco, cobre, tungstênio, lítio, estanho e minerais associados (vide).
Dos 18 pedidos já tornados públicos, existe um conjunto relativo à Beira Interior, com as designações: “Volta”, “Caneca”, “Carapeteiro” e “Homem”.

Estas enormes áreas inscrevem em si localidades como Barco, Coutada, Peso, Vales do Rio, Dominguizo, Tortosendo, Covilhã, Ferro, Peraboa, Peroviseu, Capinha, Pesinho, Alcaria, Fatela, Fundão, Aldeia Nova do Cabo, Souto da Casa, Alcongosta, Alpedrinha, Idanha-a-Nova, Monsanto, Quadrazais, entre muitas outras.

Nestas áreas também estão inclusas parte da Serra da Gardunha e da Reserva Natural da Serra da Malcata – existe um outro pedido que se reporta a área do Parque Natural da Serra da Estrela e que já deu entrada na DGEG, mas ainda não foi publicado – espera-se contudo para breve.
Como sempre disse,

o interior do país iria ser tomado de assalto, e que esta causa deveria ser de todos, estando muito para lá do limite do horizonte da Serra da Argemela.

O assalto que está já a decorrer, suportado pela propaganda do Governo, das entidades responsáveis pelo sector e pela especulação em torno dos recursos minerais, e todos estes processos decorrem à margem do conhecimento público quando cada um está mais preocupado com o seu próprio umbigo e feudo. Só com a união – DE TODOS – é que (acredito, AINDA acredito) se conseguirá parar a destruição da qualidade de vida na qual optámos por viver – e a qual temos a obrigação, cívica e humana, de deixar para o futuro.

Professora Auxiliar Convidada e Investigadora Colaboradora do LABCOM, Unidade de Investigação Científica, Faculdade de Artes e Letras da UBI | Investigadora Integrada do ARTIS - Instituto de História da Arte, FLUL

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