Janela

Introduzo a chave à primeira nas ranhuras da fechadura

Arrasto a porta de dura madeira empenada e entro

Na escuridão do passado ali vivido.

Acendo o isqueiro até alcançar a janela

Abro a portada para a luz desenhar a cor nas paredes.

Pelo soalho fica imprimida a sola das sandálias

Na camada de pó coalhado durante anos numa tela acamada de medo.

Através da vidraça vejo as Dálias serem beijadas pelo Sol com ternura

Respiro fundo, abro o espírito a tantas intenções abençoadas de luz brilhante e quente.

Fico invadido por emoções que antigamente pus num vaso de vidro

Agora não consigo ensinar o caminho ao diabo

Saio pela janela para cheirar as cores das flores ensolaradas.

Guardo no bolso a chave da porta

Voltarei noutra era

Na mesma primavera.

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Paulo Fernandes nasceu em Abraveses, Concelho de Viseu em 1969, Bacharel no Curso de Professores do Ensino Primário, pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, concluindo a Licenciatura para o 1.º Ciclo do Ensino Básico no polo de Lamego da Escola Superior de Educação de Viseu. Especializou a sua formação para Educação e Desenvolvimento em Meio Rural no Instituto de Comunidades Educativas em Setúbal.
Desenvolveu a sua atividade profissional em vários locais, incluindo São Pedro do Sul, Campia (Vouzela) e Santa Cruz da Trapa (São Pedro do Sul).
Vive nas montanhas mágicas do concelho de São Pedro do Sul, na aldeia do Candal.

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O renascer da arte a brotar do Interior e a florescer sem limites ou fronteiras. Contos, histórias, narrativa e muita poesia.

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