A ascensão dos partidos da direita mais extremista vai ganhando poder numa europa cada vez mais desunida, alimentando-se da desinformação que os partidos políticos do arco da governação insistem em perpetuar.

A crise e a aliança extremista
É indiscutível dissociar a ascensão da direita extremista com a devastação deixada pelas medidas de empobrecimento deixadas pelos governos liberais que negociam a falência do estado social.

Quando nos pediam contenção, quando nos pediam para apertar o cinto, quando nos diziam para imigrar, já imaginávamos o que vinha a seguir.

Quando um trabalhador vê o seu salário baixar, quando um pensionista vê a sua pensão estagnar, quando um professor vê o seu trabalho desvalorizado ou um enfermeiro paralisado, os partidos populistas conservadores apoderam-se da revolta e transformam aquilo que deveria ser a luta de classes em grupos armados. Armados de falsas notícias. Isso deixa maltratado o eleitorado e abre-se a porta à direita populista. Isso também se reflete na ausência de movimentos proletários e revolucionários e abre-se espaço para uma reinterpretação simples e populista da realidade.
A crise deixou mais de 28% dos gregos desempregados. Também 26% dos espanhóis e quase 18% dos portugueses estavam na rua sem trabalho. Estas consequentes medidas de austeridade adotadas, que leva ao aumento da desigualdade social e ao desemprego, vão implantando pensamentos nacionalistas.

Os líderes da Frente Nacional em França, da Aurora Dourada na Grécia, do Jobbik e do Fidesz na Hungria, do Partido do Progresso na Noruega, ganham espaço público, pois apoderam-se da revolta das populações.

O melhor mesmo é que não se saiba!
Segundo dados do INE, Portugal ainda tem 5,2% da população analfabeta. É o país da UE onde a taxa de analfabetismo é maior. Mais de 500.000 portugueses são iletrados.
Quando os portugueses são bombardeados com notícias falsas associando a crescente vaga de emigração a agentes infiltrados do Estado Islâmico têm medo. Quando os portugueses são bombardeados com notícias de que alguns políticos usam crenças religiosas para atestar a inconstitucionalidade do casamento entre pessoas do mesmo sexo têm medo. Quando os portugueses são bombardeados com notícias falsas de que políticos ativistas propõem o ensino da religião islâmica nas escolas têm medo. Quando os portugueses são bombardeados com notícias falsas de que movimentos sociais querem propagar uma doutrina sobre ideologia de género têm medo.

E têm medo porque insistimos em perpetuar a desinformação dos portugueses. E a desinformação fere a democracia. Fere os poderes democráticos. Fere a instituições democráticas.

É crucial que Portugal invista na literacia como ferramenta para combater os movimentos populistas num país, ainda, profundamente conservador. É preciso dotar os portugueses criando um programa de literacia para a democracia.

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Linguista, investigador científico, feminista e ativista social.
Nascido em Lisboa, saiu da capital rumo a Terras de Trás-os-Montes e cedo reconheceu o papel que teria de assumir num interior profundamente desigual. É aí que luta ativamente contra as desigualdades sexuais, pelos direitos dos estudantes e dos bolseiros de investigação. Membro da Catarse - Movimento Social, movimento que luta contra qualquer atentado à liberdade/dignidade Humana. Defende a literacia social e política.
(O autor segue as normas ortográficas da Língua Portuguesa)

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