Há quem diga que somos um país a duas velocidades. Eu vejo mais velocidades diferentes que mudanças num camião TIR.

“Promoção da coesão territorial” é promessa oca vinda daqueles que aceitam o centralismo como autêntico modo de vida. Lisboa tem tudo o que é “Nacional”, as capitais de distrito têm tudo o que é “Distrital” e o mesmo ocorre ao nível dos Concelhos. E tudo assim vai andando tranquilamente, firme nas mãos dos caciques locais feitos autênticos senhores feudais.

Se estivermos à espera das estruturas políticas que construíram o modelo centralista, e dele beneficiam, para o mitigar ou eliminar, podemos esperar sentados à sombra das poucas coisas boas que o abandono dos nossos territórios interiores e periféricos preservou: árvores.

Temos árvores, natureza e não aturamos muitos lisboetas, e por isso estamos muito gratos, mas será assim tanto pedir coisas como ligações ferroviárias viáveis, valorização e preservação do património, autonomia administrativa ou ligeiros benefícios fiscais para territórios em vias de desertificação?

Lisboa devia aproveitar enquanto o povo do interior está apenas a pedir e nunca devia atrasar projetos quando põe os seus em progresso rápido. Caso contrário, não tardará muito até que nos fartemos da espera e do abandono e transformemos pedidos educados em exigências duras.

Estamos fartos da conversa oca e artificial da falta de viabilidade econômica dos nossos territórios, ricos e diversos em matérias primas e solos, e de ver as nossas terras envelhecer e definhar porque os jovens não têm emprego nem mobilidade, os meios de produção não têm mão de obra nem acesso a meios de distribuição eficazes.

Se não nos derem futuro, e depressa, começa a ser evidente que não teremos outra escolha além de tomá-lo para as nossas próprias mãos, no bom jeito do “para cá do Marão mandam os que cá estão”. E acreditem que, se quisermos, mandamos.

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Nascido em Vila Real em 1999, concluiu o ensino secundário na EBS Camilo Castelo Branco, onde exerceu funções como Presidente da Assembleia Geral e da Direção da Associação de Estudanes e Representante de Alunos no Conselho Geral.
Concluiu um Certificate of Higher Education em Ciências Biomédicas na University of Surrey, UK, antes de começar a cursar Ciência Política e Relações Internacionais na FCSH-Universidade Nova de Lisboa, em 2018/19.

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