Foto de Teresa Velasquez

Se às multinacionais nem os Estado Modernos conseguem aplicar imposto sobre lucro, o que dizer de fazê-lo sobre a liquidez e propriedade privada dos “gigantes” poluentes, desde os que entram no famoso autocarro que equivale em propriedade à metade mais pobre do planeta, aos que nem sequer se expõem ao olhar público.

Sobre a luta de classes, proletariado, burguesia e justiça social na sociedade moderna, acredito que a consciencialização de classe talvez seja o conceito mais agregador da luta hoje, a pura exposição da irrelevância do diferencial de ganhos entre cidadãos comuns quando comparado com o que se encontra entre estes e os grandes proprietários internacionais. Temos todos tão pouco, e somos no entanto tomados por “aspirações de classe” aparentemente risíveis, mas que assumem um papel central na nossa luta individual, na qual nos embrenhamos com o empenho que pensamos necessário para assegurar um futuro melhor.

O problema é que, enquanto sonhamos a ideia inovadora que nos fará filantropos, interiorizamos as normas do mundo da especulação capitalista, rapidamente convertendo a resistência à ânsia de especular e lucrar num ato profundamente contra-intuitivo. Na ânsia de preservar e aumentar o nosso minúsculo pedaço, aceitamos que a especulação e o lucro ditem as regras da realidade em que vivemos, vendendo-lhes o nosso trabalho ao desbarato para “prosperar” dentro das nossas limitações estruturais ou para evitar a penúria e a precariedade.

A esperança é a última a morrer, ainda acredito que o trabalhador moderno, desde o proletário mais pobre do Bangladesh, ao pequeno-burguês mais individualista do Reino Unido, tem tempo e capacidade para se unir, organizar, e erguer contra o patrão corporativo moderno que, explorando-o em condições mais ou menos distantes da escravatura, envenena o ar que os seus filhos respiram, pelo lucro que a própria estrutura competitiva e anárquica do sistema o obriga a perseguir.

Talvez “obriga” não seja a opção vocabular mais apropriada, já que o perseguem com a arrebatada dedicação dos fanáticos religiosos de outrora, martelando nas mentes de todos: “Economia que estais no “céu”, crescimento económico de todos os dias nos daí hoje, perdoai-nos as nossas faltas de produtividade, assim como nós perdoamos a quem não tem produzido, não nos deixeis cair na estagnação e livrai-nos dos altos juros, ámen.” Tal misticismo associado ao lucro, à liquidez e à propriedade estrutura a dominação moderna, no mundo dos wannabe Bill Gates.

Disposição dos dominados? Infelizmente, só a vejo a alinhar-se quando começarmos a colher os resultados das políticas climáticas temerárias de hoje, ou seja, quando for demasiado tarde para as inverter e funcionalmente impossível de as ignorar.

Disposição para surpresas e mudança precisa-se, Humanidade, porque de não saber para onde caminhamos, já não nos podemos queixar.

A escolha Internacional torna-se mais clara a cada dia: Revolução ou Extinção.

Ou agimos globalmente e rejeitamos o nacionalismo, o capitalismo e o princípio do “lucro e crescimento económico e depois o resto”, ou a cooperação exigida pela tarefa hercúlea de montar, remodelar e desmontar modelos de produção e acumulação inteiros será impossível.

Quando a catástrofe se aproxima, o medo instala-se e a desconfiança medra. Não podemos ceder ao medo, temos de continuar a amar todos, compreender todos e não desistir da abordagem internacionalista, sob pena de ver os nossos conflitos impedir o processo de reestruturação económico-produtiva que se impõe e precipitar a nossa extinção.

Se o ser humano com racionalidade coletiva ainda é para ser, está na hora de começar, ou podemos muito bem ter os dias contados.

Ser jovem num mundo assim é assustador, e a forma como escolhermos lidar com esse medo definirá o nosso futuro coletivo.

Raiva ou Amor, País ou Planeta, Família ou Coletivo, Competição ou Cooperação.
Quero acreditar que faremos as escolhas certas…

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Nascido em Vila Real em 1999, concluiu o ensino secundário na EBS Camilo Castelo Branco, onde exerceu funções como Presidente da Assembleia Geral e da Direção da Associação de Estudanes e Representante de Alunos no Conselho Geral.
Concluiu um Certificate of Higher Education em Ciências Biomédicas na University of Surrey, UK, antes de começar a cursar Ciência Política e Relações Internacionais na FCSH-Universidade Nova de Lisboa, em 2018/19.

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