Greve dos trabalhadores das Misericórdias com baixa adesão no distrito de Viseu por medo de despedimentos

Foto de Paulo Oliveira | Facebook
Os trabalhadores das misericórdias e da União das Misericórdias Portuguesas (UMP) levaram a cabo ontem, dia 25 de outubro, 24h de greve para reivindicar aumentos salariais e melhores condições de trabalho.

A situação destes trabalhadores tem vindo a degradar-se ano após ano, sem aumentos salariais nem qualquer valorização remuneratória desde 2016. Devido à inflação, as perdas reais sentidas por estes trabalhadores são de 0,6% em 2016, 1,4% em 2017 e 1% em 2018. Isto num setor, o Setor Social e Solidário, que recebe do governo 1.500 milhões de euros anuais.

Apesar das misericórdias e a UMP verem a comparticipação governamental aumentar todos os anos (1,3% em 2016; 2,1% em 2017; 2,2% em 2018), a Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais (FNSTFPS) da CGTP sublinha que isto não se traduziu na melhoria da remuneração destes trabalhadores. Esta foi a base da reivindicação que levou a FNSTFPS a convocar estas ações de luta, que além da greve de 24h, incluía também uma concentração e marcha frente à UMP em Lisboa.

A adesão fez-se sentir por todo o país, mas segundo António Macário, da FNSTFPS, no distrito de Viseu “não houve tanto quanto(seria de esperar), porque há muito medo que impera ainda nas santas casas da misericórdia. Fomentam o desassossego dos trabalhadores com baixos salários, falta de respeito pelos direitos laborais e ameaças de despedimentos, e isso vai criando um grande desassossego”. Ainda sem dados concretos dos números da greve, será de esperar que este sentimento esteja presente noutras localidades do Interior.

Enquanto isso, em Lisboa, a concentração reuniu mais de uma centena de trabalhadores, que foram do Campo Grande até à sede da União das Misericórdias de Lisboa onde foi entregue uma carta aberta denunciando as situações descritas e reivindicando melhores salários.

Arménio Carlos, secretário-geral da CGTP, expressou que a carta aberta entregue ao presidente da UMP será igualmente entregue na segunda-feira à nova ministra do Trabalho, aos grupos parlamentares e ao Presidente da República.

(Escrito por MFS)

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