2022 deve ter resposta diferente para covid-19, diz associação de unidades de saúde familiar

Um estudo da Associação de Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) revela que a quase totalidade das USF mobilizaram até 80% dos seus enfermeiros e 60% dos médicos para a covid-19. A associação conclui que “2022 não pode ter a mesma resposta de 2020 ou 2021” e propõe um conjunto de medidas.
Foto de USF-AN

A Associação de Unidades de Saúde Familiar (USF-AN) divulgou, em 30 de dezembro de 2021, o comunicado “COVID-19: 2022 não pode ter a mesma resposta de 2020 ou 2021”, onde dá a conhecer o estudo da associação sobre o “enorme impacto” que o apoio aos serviços criados no âmbito da covid-19 tem no atendimento aos utentes que recorrem aos cuidados de saúde primários. O comunicado aponta que a estratégia de combate à pandemia tem de mudar, considera que “é fundamental assegurar que os cuidados de saúde primários possam retomar a sua atividade normal pré-pandémica” e propõe sete medidas.

A USF-AN fez um questionário aos seus associados sobre a gestão das ações de combate à covid-19 e qual o impacto na sua atividade, tendo obtido 153 respostas que “representam a situação em 43 Agrupamentos de Centros de Saúde (78% do total do país)”.

Até 80% dos enfermeiros e até 60% dos médicos de família no atendimento covid

Destas respostas só uma afirma que as as unidades e serviços criados no âmbito da pandemia são assegurados sem recurso aos profissionais dos Agrupamentos dos Centros de Saúde (AC e S). Em 56% dos casos os serviços são assegurados “exclusivamente por profissionais dos quadros dos AC e S” e 43% por equipas mistas de “profissionais dos quadros e profissionais contratados. Acresce que, segundo a associação, “93% das USF dão apoio a mais do que uma das unidades e dos serviços criados no âmbito da pandemia por covid-19 e que este apoio é assegurado no horário que estava destinado aos serviços da USF aos seus utentes”.

A associação refere que estas diferentes unidades e serviços: centros de vacinação, áreas ADR, vacinação nas ERPI, vacinação no domicílio, apoio a surtos em Lares, atividade relacionada com estruturas de retaguarda e outras como testes e linha telefónica e ainda o apoio à plataforma TRACE COVID1.

O comunicado assinala que a dispersão dos profissionais de cuidados de saúde primários por “múltiplos novos serviços” é “notória”, levando a que as equipas de saúde familiar estejam desfalcadas, “prejudicando desta forma a prestação de cuidados de saúde à população”.

A associação assinala que 99% das USF “tiveram até 80% dos seus enfermeiros e até 60% dos seus médicos de família e secretários clínicos diariamente mobilizados para o atendimento relacionado com a covid-19, muitas vezes de um dia para o outro, com toda a perturbação que tal acarreta para as atividades previamente agendadas”.

O impacto desta situação, refere a associação, são que “99% das unidades referem que os profissionais estão cansados ou em burnout”. Além disso, 91% das unidades não conseguem assegurar as tarefas que deviam no cuidado aos utentes e regista-se um aumento de conflitos dentro da equipa, entre a USF e o agrupamento dos centros de saúde e com os utentes.

“Não podemos, hoje, querer continuar a resolver o problema fazendo exatamente o mesmo que temos feito desde o início da Pandemia. A estratégia tem de mudar, tem de se adaptar à nova realidade e preparar um futuro melhor”, conclui, apontando que “é fundamental assegurar que os cuidados de saúde primários possam retomar a sua atividade normal pré-pandémica”.

Medidas propostas pela USF-AN

A associação propõe que terminem as ADR (áreas dedicadas para doentes respiratórios), , integrando o atendimento no circuito de doentes agudos, “que já hoje representam a maioria da resposta existente para estes doentes”.

Defende também que termine a vigilância feita pelos profissionais dos cuidados de saúde primários no `trace covid´ e que sejam constituídas equipas próprias para os centros de vacinação, compostas por um núcleo de profissionais exclusivos.

Propõem ainda a internalização da gestão do SNS24 e a criação de `call centers´ por áreas metropolitanas e distritos, em função da densidade populacional, com equipas próprias do Ministério da Saúde e contratos com empresas para compensação de picos de procura, e a revisão dos algoritmos com participação efetiva dos cuidados de saúde primários.

A associação pretende ainda medidas para dar uma “resposta efetiva e humanizada aos utentes sem equipa de saúde familiar atribuída”, o que poderá passar pela abertura de mais USF e pela criação de fatores de atração dos profissionais que estão no mercado de trabalho, fora do Serviço Nacional de Saúde.

Nota:

1 O comunicado da USF-AN refere: “De entre estas novas unidades/serviços encontram-se os Centros de Vacinação COVID-19, as Áreas Dedicadas para Doentes Respiratórios (ADR), a vacinação nas Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI), a vacinação no domicílio dos utentes com dependência da USF, a Unidade de Saúde Pública, o apoio a surtos em Lares, a atividade relacionada com as estruturas de retaguarda COVID e outras como Testes nas ERPI e Linha Telefónica de Apoio ao COVID. Foi, ainda, referido que todas as USF deram apoio desde o início da pandemia à plataforma TRACE COVID (ferramenta de acompanhamento COVID-19, contact tracking a doentes em vigilância e auto-cuidados)”.

Artigo publicado em Esquerda.net

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