88% dos portugueses sentem demasiado frio em casa

Portugal tem um dos piores índices de pobreza energética da União Europeia, com centenas de mortes todos os anos devido ao frio. Aquecer a casa pode agravar a fatura da energia em 50%.
Aquecedor

O Inverno continua a significar viver com demasiado frio em casa para a maior parte das pessoas em Portugal. A conclusão não é nova mas o novo inquérito do Portal da Construção Sustentável lança novos dados sobre a sensação térmica nas habitações.

Apenas 1 em cada 10 portugueses vive numa casa em que a temperatura é satisfatória. E para manter a casa aquecida durante esta estação do ano pode provocar um agravamento de, em média, 50% da fatura da energia.

O impacto financeiro explica depois o impacto na saúde dos portugueses. 15% dos inquiridos vivem com alguém que sofre de problemas de saúde provocados pela falta de condições térmicas.

À Renascença, o diretor do departamento de epidemiologia do Instituto Ricardo Jorge, Carlos Dias, confirma a correlação entre a precariedade das habitações e o aumento de mortes sazonal que se repete todos os anos.

O diretor relembra que “temperaturas muito extremas, sejam elas muito elevadas, ou muito baixas, estão relacionadas com problemas respiratórios e em especial problemas cardiovasculares”. Isto porque, explica, “o nosso coração tem de fazer um esforço maior para bombear ar que esteja poluído, ou com menos oxigénio, ou mais frio. Todos estes fatores podem causar doença ou agravar doenças já existentes como a bronquite, a doença pulmonar obstrutiva crónica, a asma”.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística e o Instituto Nacional de Engenharia e Geologia, as fontes de energia mais consumidas para aquecimento de habitações são a eletricidade e a lenha. Mas a escolha de 20% da população passa pelo recurso exclusivo a roupa e cobertores.

De acordo com o Eurostat, Portugal é o quarto da União Europeia país em que há maior incapacidade de manter a habitação quente, num total de 17,5%.

O professor João Pedro Gouveia, que lidera o Centro de Investigação em Ambiente e Sustentabilidade, aponta para a má construção nas décadas de 1970, 1980 e 1990, anos em que a migração de populações do campo para a cidade fez com que se construísse “mal, rápido e barato”. Os dados do Observatório da Energia (ADENE), confirmam o problema, onde cerca de 70% das habitações atualmente certificadas têm baixa eficiência energéticas (C ou menos).

“Houve muitas pessoas que passaram das zonas rurais para as grandes cidades. Foi preciso construir rápido e a baixo custo. Portugal sempre foi um país pobre, onde se negligenciou o conforto térmico”, afirma João Pedro Gouveia. “Temos bastante mais de 80% dos edifícios com má qualidade de construção, falta de isolamento e com vidros simples. Por isso, temos um problema tão grande de eficiência energética agora”, reconhece.

Publicado por Esquerda.net a 5 de janeiro de 2022

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