Foto de Américo Meira | Flickr

Quando Puri Fernandes chegou ao concelho localizado em Trás-os-Montes, em 1987, os direitos das mulheres em Portugal ainda não estavam em consonância com os direitos das mulheres nos EUA, país de onde veio. A mulher transformou a aldeia de Parambos. 

A reportagem do DN, conta a história de Purificación Fernandes, que neste momento tem mais 70 anos, nasceu na Galiza onde não ficou muito tempo. Viveu grande parte da sua vida na Argentina, no Brasil e nos Estados Unidos da América, mas acabou na aldeia de Parambos, no concelho de Carrazeda de Ansiães. 

Trocou Washington pelo Alto Douro por causa do marido, o médico veterinário Mário Vasco Fernandes, onde este produzia vinho e possuía uma casa de férias, em Parambos, uma aldeia do concelho de Carrazeda de Ansiães. 

Em 1987, Portugal preparava-se para mais um mandato do governo de Cavaco Silva. A pequena localidade, com menos de 300 habitantes, não estava preparada para receber uma pessoa com tanto mundo, tão livre como Puri Fernandes. Inicialmente esta convivência foi problemática, como por exemplo quando ofereceu ajuda ao um trabalhador que lhe estava a pintar a cozinha e ele ficou muito incomodado por uma mulher se estar a meter no trabalho dele. Puri respondeu que “vai ser fácil dar um pontapé no seu rabo e atirá-lo para baixo do que você tirar-me daqui de cima (andaime)”. 

Aos poucos, viu a aldeia de Parambos a mudar, deixou de ser a esposa do doutor Mário para ser ela própria. Puri foi provocando a mudança silenciosa entre as mulheres da aldeia. Quando chegou o que “era aceitável nos EUA, aqui nem se pensava”, uma mulher nem podia lavar o carro, mas Puri foi mostrando que as mulheres têm um papel muito importante nesta comunidade do Interior do país. Também a residência do casal era motivo de uma mudança de mentalidades já que representava tempos modernos difíceis de imaginar na altura para a população de Parambos.

Hoje em dia, vive de forma ativa no meio da comunidade, entre o negócio das compotas e o alojamento rural numa casinha de campo. A sua moradia só se diferencia das outras casas de Parambos por não ter um grande cartaz à porta alusivo ao Sporting, não fosse esta aldeia considerada a mais sportinguista de Portugal, mas dentro de casa tem cachecóis e camisolas verdes e brancas. 

Para Puri, Portugal foi só um plano por causa da sua história de amor, mas agora é o país onde pretende viver o resto da vida. “Já sou transmontana”, refere. 

(Escrito por DG)

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