A Assembleia Municipal de Viseu aprovou por unanimidade no passado dia 26 de fevereiro uma moção de saudação ao Dia Internacional das Mulheres apresentada pela deputada municipal do Bloco de Esquerda.

A moção foi apresentada por Catarina Vieira considerando que “invocar o dia 8 de março é imperativo”, pois a data traz à luz do dia o peso associado ao papel da mulher, colocando a nu a sua importância para que a sociedade não pare.

“A chamada linha da frente é composta, na sua maioria, por mulheres auxiliares de saúde (92%), enfermeiras (82%), médicas (55%) e cuidadoras (80%). No entanto, o trabalho das mulheres continua a ser menos reconhecido, comparativamente ao dos homens. Em média, a diferença salarial entre homens e mulheres é de 52 dias de trabalho pago, o que significa que as mulheres trabalham aproximadamente 2 meses de graça. São também as mulheres a maior categoria a ganhar o salário mínimo. Nestes tempos de pandemia, vários dos sectores mais afectados pelas restrições são compostos maioritariamente por mulheres, como o sector das limpezas, os cabeleireiros e as esteticistas (composto em 90% por mulheres), e o atendimento ao balcão e comércio (composto em 64% por mulheres)”, são número apresentados na moção.

Mas para além desta diferença no “emprego formal”, as mulheres, segundo o documento, “gastam em média, aproximadamente, mais duas horas diárias do que os homens em tarefas domésticas e do cuidado, um trabalho não remunerado e ainda invisibilizado.”

A moção lembra ainda que 85% das famílias monoparentais são compostas por mulheres. Situação que em confinamento agrava a dinâmica doméstica e laboral, “obrigando a uma gestão quase impossível entre o tempo dedicado ao apoio às crianças em ensino online e o horário de trabalho (para quem o tem)”.

“As violências são muitas, complexas e distintas, e os problemas são estruturais”, remata a proposta do Bloco de Esquerda de Viseu.

Ao aprovar a moção, a Assembleia Municipal de Viseu deliberou saudar todas as mulheres, a sua luta, todas as suas conquistas e dos movimentos feministas, bem como remeter ovoto à Assembleia da República (Comissão Parlamentar de Direitos, Liberdades e Garantias), à CIG – Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, à CITE – Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego, e às associações e movimentos de mulheres da cidade de Viseu.

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