Foto por Museu Municipal de Oliveira de Frades | Facebook

Escavações arqueológicas realizadas recentemente permitem conhecer melhor um sepulcro do final da Idade do Bronze na Mamoa da Cumeeira, junto à zona industrial de Oliveira de Frades.

A Cumeeira trata-se de uma pequena mamoa (colina artificial) que encerra um sepulcro que pode agora ser melhor compreendido, mas que, em parte, era já conhecido, segundo notícia da autarquia. Parte do seu interesse, deve-se ao facto de ser estruturalmente distinta do Dólmen de Antelas, um grande monumento neolítico (com 6 mil anos) localizado nas proximidades.

As escavações irão ser concluídas no verão de 2021 e já revelaram que o sepulcro, de pequenas dimensões, apresenta uma arquitetura mais complexa do que aparentava. “Os seus construtores começaram por regularizar a superfície do local com uma densa camada de pedras, sobre a qual construíram uma cista (uma “caixa” em pedra) com lajes de granito onde se praticou o ritual funerário”,  é explicado na notícia.

A delimitar o espaço foi construído um muro circular, no interior do qual foram descobertos fragmentos de potes de barro utilizados nas cerimónias fúnebres. Por fim, sobre estas estruturas foi criada a colina artificial (mamoa), com terra e pedras, encerrando e protegendo os restos mortais. Uma das questões que se mantém em aberto é qual o tipo de ritual funerário praticado, se a inumação ou a cremação, mais frequente na época.

Os trabalhos arqueológicos permitiram ainda identificar um outra mamoa, mais pequena e imediatamente a nordeste da que foi alvo de investigação. A nova estrutura será alvo de escavações em 2021. Foram também detetadas “covinhas” num afloramento rochoso a cerca 50 metros, que poderão ter relação com os cultos praticados na Cumeeira na Idade do Bronze.

Os objetos recolhidos e os dados científicos resultantes destes trabalhos arqueológicos irão integrar a Sala de Arqueologia do Museu Municipal de Oliveira de Frades. Os trabalhos, codirigidos por Fabián Cuesta-Gómez e António Faustino Carvalho, enquadram-se num projeto conjunto da Universidade do Algarve com o Município, aprovado pelo Ministério da Cultura para o quadriénio de 2020-2024, com o objetivo de aumentar o conhecimento sobre os monumentos e as práticas funerárias da Pré-História na região.

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