Incêndios não são uma fatalidade e devem ser exigidas responsabilidades

Para o Bloco, não se pode encarar a catástofre dos incêndios como uma fatalidade e devem ser exigidas “responsabilidades coletivas que se traduzam em políticas públicas decisivamente adequadas e adaptadas às exigências das alterações climáticas”. Assumem ainda que “o futuro do planeta passará inevitavelmente pela nossa capacidade coletiva de reivindicarmos a soberania dos interesses de todas e todos, o interesse da nossa continuidade enquanto espécie entre espécies, contra um modelo económico planetariamente insustentável nas mãos de uns poucos que se servem da incapacidade das elites governativas de privilegiarem o bem-estar do planeta em detrimento da acumulação do capital”.
Incêndio
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Os incêndios não são uma fatalidade!

Os grandes incêndios, as dezenas, quando não centenas, de milhares de hectares de área ardida, parecem ter-se tornado no nosso país uma fatalidade, restando apenas gerir o inevitável fenómeno de forma que impactue minimamente nas nossas vidas – protegendo-as; e imputando as responsabilidades criminais a quem de direito, seja por negligência ou por prática criminosa, transferindo, enfim, o ónus da responsabilidade do Estado para os cidadãos e cidadãs tomados individualmente. Em suma, dissociar o problema sistémico dos incêndios das questões da propriedade (numa floresta em que apenas 2% é de domínio público), do aquecimento global e da falta de coesão territorial corresponde à estratégia governamental de isolar o fenómeno dos incêndios de realidades mais estruturantes e globais – como o aquecimento global – e impedir uma reforma verdadeiramente profunda – mas necessária e urgente – da nossa floresta.

Mas onde o governo nos quer empurrar para uma fatalidade de que não se trata de mudar, mas, tão só, de gerir, devemos nós, cidadãs e cidadãos, exigir responsabilidades coletivas que se traduzam em políticas públicas decisivamente adequadas e adaptadas às exigências das alterações climáticas. Para isso é preciso acabar com a monocultura do eucalipto que servindo os interesses do sector da celulose – a riqueza de uns poucos – não serve aqueles que são os interesses de todos face à crise das nossas vidas: a crise climática; é necessário igualmente alterarmos, tanto a nossa forma de produção, quanto de distribuição e de consumo, mitigando a “pegada ecológica” através da valorização de práticas agrícolas sustentadas na economia de proximidade e na agricultura extensiva; a par destas reformas na área agroflorestal que visam alterar o próprio modelo de desenvolvimento da agricultura e da floresta é preciso continuar a envolver todas as outras dimensões da produção (designadamente industrial) e suas formas de distribuição e consumo que atrasam, ou, mesmo, bloqueiam, a tão urgente “transição climática”.

Se o aquecimento global é uma realidade com a qual nós e as gerações que nos procederão temos e teremos com que lidar, não é possível querermos mudar o que quer que seja em nome do nosso bem-estar, e, inclusive, da sobrevivência das espécies que hoje compartilham connosco o planeta, sem querermos enfrentar um modelo económico predatório que vive tão só do curto-médio prazo e produz continuamente o afunilamento das desigualdades. O futuro do planeta passará inevitavelmente pela nossa capacidade coletiva de reivindicarmos a soberania dos interesses de todas e todos, o interesse da nossa continuidade enquanto espécie entre espécies, contra um modelo económico planetariamente insustentável nas mãos de uns poucos que se servem da incapacidade das elites governativas de privilegiarem o bem-estar do planeta em detrimento da acumulação do capital.

27 de julho de 2022

A Comissão Coordenadora Distrital de Viseu

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