Foto por Município de Idanha-a-Nova | Facebook

Um novo pólo de conhecimento científico, centrado na agricultura biológica e sustentável, nasceu na Beira Interior, mais especificamente em Idanha-a-Nova, com a constituição do FoodLab.

Idanha-a- Nova ocupa o quarto lugar na lista de municípios portugueses com maior área. 1416 quilómetros quadrados, ocupados em grande parte por terrenos agrícolas, mas cada vez mais despovoados, desde 1950 Idanha perdeu 70% da população.

Para contrariar esta tendência, segundo reportagem do Público, em 2015 foi feito um trabalho de estudo dos motivos que levavam as pessoas a abandonar ou a não se fixarem na região. Este estudo permitiu à autarquia desenhar uma estratégia intitulada “Recomeçar”, é neste sentido que nasce o programa Idanha Green Valley.

A Building Global Inovators (BGI), uma “aceleradora de startups” fundada e dirigida por Gonçalo Amorim, foi uma das entidades contactadas na procura de respostas. Durante um ano, a BGI estudou a região e, em 2016, avançou com a primeira edição do i-Danha Food Lab.

O passo seguinte foi a idealização de um sistema sustentável e circular agro-alimentar, de produção de alimentos produzidos sem pesticidas, herbicidas ou inseticidas, e com recurso a uma menor quantidade de água. Foi neste contexto que em 2019 surgiu o CoLab (Laborátório Colaborativo) de Idanha-a-Nova, com o nome FoodLab, explica o Público.

O FoodLab tem como objetivo aplicar conhecimento já existente à resolução de problemas práticos e concretos. Posteriormente, os resultados e conhecimentos daqui obtidos serão disponibilizados aos produtores que desejem optar por práticas mais sustentáveis.

Uma das 15 entidades fundadoras do FoodLab, em que se incluem PME, instituições do ensino superior e associações empresariais, é a Living Seeds — Sementes Vivas. A PME, criada em 2015 por Bettina Gerike e pelo seu marido de então, dedica-se ao negócio das sementes biológicas, como contou a alemã ao Público.

Um aspeto prioritário na estratégia implementada é a aposta em práticas que não comprometam a biodiversidade na atividade agrícola. Joana Rosa, presidente da Cooperativa Agrícola dos Olivicultores do Ladoeiro (Coopagrol), contou ao Público que acredita que na olivicultura muitos produtores até já o fazem sem ter consciência disso.

Ainda assim, a Coopagrol é uma das entidades que espera beneficiar da “partilha de sinergias” resultante do FoodLab, nomeadamente na descoberta de novos modos de aproveitamento do bagaço, um subproduto que representa 70% da composição da azeitona.

Deixe o seu comentário

Skip to content