Em todos os atos eleitorais desde 1975 os níveis de abstenção têm vindo a aumentar para valores preocupantes. Porém, nas Eleições Europeias, os números são ainda mais elevados.

Esta tendência é observada por todo o território nacional e muitas vezes interpretada como um afastamento e desinteresse da população da vida política. Além destes argumentos, em territórios de baixa densidade como os nossos, as razões podem ir mais além.

Com o despovoamento, o envelhecimento e a emigração é de supor que muitas das pessoas recenseadas nestas regiões já não habitem nas mesmas o que afeta de forma inquestionável a afluência às urnas. Por outro lado, se as populações já se sentem longe dos centros de decisão nacional, o sentimento relativo às políticas europeias é de um alheamento total. Podemos assumir que existe um grande fosso entre a população e os centros de decisão que pode facilmente ser entendido através deste exemplo: Será fácil participar em atos eleitorais a uma escala micro – para eleições autárquicas (freguesias) – onde o centro de decisão representa 500 ou 1000 pessoas. Para uma Câmara Municipal a participação já não é tão linear, pois este órgão representa 30 mil ou 40 mil pessoas. Transpondo isto para uma escala meso, o centro de decisão seguinte é a Assembleia da República, ou seja, passamos da eleição de um órgão que representa 30 mil ou 40 mil pessoas diretamente para um órgão que representa 10 milhões. Numa escala macro chegamos ao ponto de ter um ato eleitoral para eleger um centro de decisão que representa cerca de 510 milhões de pessoas, distribuídas por 28 Estados membro. O fosso é enorme e é compreensível que as pessoas se sintam longe dos centros de decisão.

No caso das eleições europeias é ainda de sublinhar que são eleições de círculo único, ao contrário das eleições legislativas e autárquicas. Isto quer dizer que apesar do número de cidadãos recenseados continuar a diminuir nos territórios de baixa densidade, o seu voto terá exatamente o mesmo peso nos resultados finais que irão eleger os 21 deputados portugueses que nos irão representar no Parlamento Europeu, como os votos dos grandes centros urbanos.

Apesar de todas estas condicionantes é essencial o entendimento de que o que se passa no Parlamento Europeu tem grande influência na nossa vida quotidiana.

A verdade é que entre 60% a 80% da legislação aplicada em Portugal tem origem no Parlamento Europeu. A decisão de venda de Bancos a privados, da venda dos CTT e da EDP a privados, em negócios completamente ruinosos para o Estado e para a população, teve origem na União Europeia.

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