Foto por Noticias da Moita | Facebook

O siluro (Silurus glanis), também conhecido como peixe-gato europeu, originário da Europa Central, pode pesar mais de 100 quilos e ter mais 2,5 metros e é uma ameaça para as espécies nativas do Tejo. Também já foi detetado no Douro espanhol.

Segundo artigo do Público, a população de siluros tem-se multiplicado de forma descontrolada no rio Tejo, ameaçando a existência de outras espécies, particularmente as autóctones com grande valor para o ecossistema e comercial, como enguias, sáveis e lampreias. 

Ameaça também outras espécies invasoras que entretanto adquiriram importância comercial, como o lagostim do rio.

A situação preocupa pescadores e biólogos, que falam de algo que se pode tornar irreversível, se não se agir já e começar a combater a população destes superpredadores.

O siluro foi identificado pela primeira vez na Península Ibérica no rio Ebro, em Espanha, em 1974. Na parte espanhola do Tejo, a primeira vez que foi detetado foi em 1998. Na parte portuguesa apenas foi observado em 2014, embora os investigadores estimem que tenha chegado em 2006, introduzida por pescadores alemães.

Em 2017, os investigadores do Mare — Centro de Ciência do Mar e Ambiente da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que estudam as espécies não naturais nos rios portugueses, começaram uma investigação sobre a presença do siluro no Tejo e alertaram que se poderia tornar uma ameaça para a espécies nativas.

Há três anos a população era calculada em centenas e as capturas às dezenas. Hoje os investigadores não têm dúvidas em falar em “dezenas de milhares” de espécimes, não restando dúvidas de que o siluro é uma ameaça. 

Filipe Ribeiro, um dos investigadores do Mare que coordenam parte da investigação às espécies não naturais dos rios portugueses, em declarações ao Público, salienta que “o mais preocupante são espécies nativas do Tejo que estão a ser dizimadas”. “Daqui a muito pouco tempo corremos o risco de ter o Tejo sem nenhuma das suas espécies autóctones e que, hoje, já têm uma fraca expressão no rio”.

O investigador explica ainda que, de acordo com estudos científicos europeus, para sobreviver cada siluro necessita de consumir 2% do seu peso. Se se considerar este peso médio em 10 quilos, cada peixe necessita de comer 200 gramas por dia. Se se multiplicar estas 200 gramas por 10 mil espécimes, chegamos ao impressionante número de duas toneladas por dia.

Igualmente impressionante é a capacidade de reprodução da espécie. Uma fêmea jovem de 1 metro faz uma desova de cerca de 80 mil ovos uma vez por ano. Calcula-se que apenas cerca de 800 crias atinja a idade adulta. Se se multiplicar por 10 mil são cerca de 8 mil novos espécimes por desova a invadir o rio.

Carlos Serras, pescador com quem o Público falou, mostra-se pessimista em relação aos estragos que os siluros estão a fazer no Tejo, e em especial às espécies autóctones. “Há uns anos apanhavam-se barbos e bogas aos milhões. Hoje não se apanha um. E agora está também a dar cabo dos lagostins, que, hoje, representam cerca de 70% da facturação de um pescador profissional. É uma coisa monstruosa.”

Investigadores e pescadores concordam que é urgente agir, defendendo que parte da solução poderia passar pelo Governo pagar aos pescadores uma verba por cada quilo de siluro capturado. Outra forma de diminuição da população poderia passar por grandes capturas no final da primavera, quando o siluro se reúne em grupos em determinados locais de albufeiras e barragens.

Os siluros já foram identificados também no Douro espanhol e já chegaram aos investigadores relatos de avistamentos no lado português, embora ainda sem confirmação. 

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